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Brasil é pioneiro em Indicação Geográfica de vinhos tropicais, aponta Embrapa
A parceria entre ciência e setor produtivo resultou no pedido de reconhecimento da Indicação de Procedência Vale do São Francisco para vinhos finos tranquilos e espumantes. O trabalho conjunto permitiu o pioneirismo internacional na estruturação de uma Indicação Geográfica de vinhos tropicais. Em dezembro, foi depositada a Indicação de Procedência (IP) do Vale do São Francisco no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), baseada em requisitos equivalentes aos da União Europeia.
O trabalho para caracterização da região, necessária para o registro, foi coordenado pela Embrapa Uva e Vinho (RS), em articulação com a Embrapa Semiárido (PE) e parceiros, com uma equipe de mais de 40 pessoas de várias instituições, entre pesquisadores, professores, técnicos e estudantes para entender a vitivinicultura do Semiárido nordestino e aprimorar a qualidade dos vinhos da região. Essa iniciativa atende a uma demanda antiga do setor produtivo, representado pelo Instituto do Vinho do Vale do São Francisco (Vinhovasf), entidade privada que congrega os produtores vitivinícolas da região.
“Essa será a primeira Indicação de Procedência (IG) de vinhos de regiões tropicais do mundo, utilizando o modelo estrutural similar às Indicações Geográficas adotadas por renomados produtores da União Europeia,” comemora o pesquisador da Embrapa Giuliano Pereira, que coordenou o processo. “O Brasil é um destaque no cenário internacional nas pesquisas na viticultura tropical, produção que também ocorre em países como a Tailândia, Índia, Myanmar (antiga Birmânia) e Venezuela. Receber e compartilhar em cada garrafa que ostentará o selo da Indicação Geográfica significa a garantia da origem e da qualidade dos produtos elaborados”, destaca o cientista.
Pereira liderou o time multidisciplinar que teve como missão entender a vitivinicultura do Semiárido nordestino, em especial a estabelecida no Vale do Submédio São Francisco, que envolve com destaque os municípios pernambucanos de Petrolina, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista, além de Juazeiro, Casa Nova e Curaça, no lado baiano. Os trabalhos do projeto, desenvolvido entre 2013 e 2018, possibilitaram elaborar o material técnico que embasou o pedido de registro da Indicação de Procedência entregue ao INPI em dezembro.
As ações de pesquisa ocorreram no âmbito do projeto “Desenvolvimento de tecnologias e uso da agricultura de precisão para colaborar com a certificação dos vinhos e com a sustentabilidade do setor vitivinícola do Vale do Submédio São Francisco”, que contou com um aporte superior a um milhão de reais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
As informações coletadas
As atividades possibilitaram a caracterização histórica e geográfica do território vitivinícola no Vale do São Francisco; a delimitação da área geográfica da Indicação de Procedência Vale do São Francisco; a caracterização do relevo, das condições climáticas, dos solos, dos vinhedos comerciais; caracterização das paisagens vitícolas da região; estudos do potencial enológico das uvas para a melhoria da qualidade, da tipicidade e da estabilidade dos vinhos tropicais, assim como a caracterização da composição química, metabólica e sensorial dos produtos comerciais. Também foi definido o Caderno de Especificações Técnicas da IPe do respectivo Plano de Controle dos produtos.
Mais visibilidade mundial e estímulo ao enoturismo
“O crescimento das indicações geográficas de vinhos brasileiros, que hoje já são onze, entre as registradas e em estruturação, está redesenhando a cartografia dos territórios vitivinícolas do país. Esse trabalho está colocando o Brasil no radar das origens qualificadas, dando suporte para o fortalecimento da imagem mundial do Brasil como produtor de vinhos de qualidade,” declara Jorge Tonietto, pesquisador da Embrapa que desenvolve projetos de estruturação de Indicações Geográficas (IGs) de vinhos brasileiros desde os anos 1990.
De acordo com ele, a obtenção do registro da Indicação de Procedência Vale do São Francisco, além de estimular melhorias na organização do setor, irá aprimorar a qualidade dos vinhos que chegarão aos consumidores, pois todos os produtos com IG deverão atender aos requisitos de produção, além de passar por avaliações químicas e análises sensoriais às cegas, garantindo produtos de origem qualificados. A conquista, a exemplo de outras regiões, também deverá promover a comercialização dos produtos, ampliar a visibilidade e o renome da região produtora, além de estimular o enoturismo, com potencial de atração de novos investimentos e fortalecimento da vitivinicultura do Vale do São Francisco.
Para o presidente do Vinhovasf, José Gualberto de Freitas Almeida, os resultados são a concretização de um sonho. Ele é o pioneiro na produção de vinhos no Semiárido, com o início de suas atividades em 1985. Almeida declara que, desde o reconhecimento da IG gaúcha Vale dos Vinhedos, em 2002, queria realizar esse trabalho no Vale do São Francisco. “Participei do lançamento em Bento Gonçalves (RS) e lá mesmo já havia manifestado o interesse para que os nossos vinhos fossem estudados e reconhecidos. Demorou um pouco, mas estamos chegando lá,” celebra.
Para Francisco Macedo de Amorim, professor de enologia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IF Sertão) e um dos pesquisadores atuantes no projeto, o momento é de festejar. “Desde 2002 estou envolvido com a vitivinicultura na região. Foi durante essa longa caminhada que surgiram mais empresas, muitos personagens e mais produtos, fortalecendo cada vez mais a ideia de que um dia o Vale do São Francisco seria mais valorizado e reconhecido, também pelos seus vinhos”, lembra.
A força-tarefa do vinho tropical
A equipe multidisciplinar que atuou no projeto da Indicação de Procedência para o Vale do São Francisco contou com cientistas da Embrapa Uva e Vinho, Embrapa Semiárido e Embrapa Clima Temperado, de instituições de ensino como a Universidade de Caxias do Sul (UCS), Universidade Federal de Lavras (UFLA), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Universidade Federal do Vale do São Francisco e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano (IF Sertão), além do Instituto do Vinho do Vale do São Francisco (Vinhovasf).
Também participaram ativamente do processo os proprietários, diretores, enólogos e técnicos das sete vinícolas da região produtora de vinhos (ViniBrasil SA/Global Wines, Miolo/Terranova, Vinícola do Vale do São Francisco/Botticelli, Adega Biancheti Tedesco, Vinícola Mandacaru/São Braz, Vinum Sancti Benedictus-VSB e Vinícola Garziera), além de estudantes de mestrado e doutorado.
Ciência fortaleceu o vinho do Semiárido
A projeção do Brasil na área vem sendo construída ao longo dos anos com o desenvolvimento de tecnologias para elaboração de vinhos tropicais. Entre 2003 e 2007, um projeto pioneiro desenvolvido no Vale do São Francisco avaliou 28 cultivares viníferas na região. Financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pela Embrapa, o trabalho selecionou a Tempranillo e a Barbera que foram adotadas pelo setor produtivo e mostraram excelente desempenho na produção de vinhos tintos e espumantes.
Com relação ao processo de elaboração de vinhos, a Embrapa conduziu pesquisas e estabeleceu parâmetros importantes para a definição do período ideal de colheita a fim de garantir a qualidade dos vinhos de guarda, que ocorre sobretudo de março a setembro, conforme publicado na revista Territoires du Vin.
Graças à pesquisa agropecuária brasileira, o Brasil está entre os líderes mundiais da viticultura tropical. É o que afirma o pesquisador Giuliano Pereira. “Esse posicionamento também é reconhecido pela organização das cinco edições do Simpósio Internacional de Vinhos Tropicais realizadas até 2020: em 2004 (Petrolina-PE), 2010 (Petrolina), 2011 (Chiang Mai-Tailândia), 2014 (Brisbane-Austrália) e 2016 (Petrolina),” relata Pereira frisando que o evento é um dos principais fóruns da categoria e reúne lideranças científicas do Brasil, Venezuela, Estados Unidos, Portugal, França, Espanha, Tailândia, Myanmar, Indonésia e Austrália, contando com a parceria da Cátedra Unesco “Cultura e Tradições do Vinho” (da Universidade da Bourgogne-França) e do Giesco (Group of International Experts of vitivinicultural Systems for CoOperation).
Os vinhos tropicais: sabor diferenciado e produção o ano inteiro
As regiões de clima quente ao longo do ano permitem a produção de uvas e vinhos de janeiro a dezembro, com duas podas e duas safras anuais, com possibilidades de colheitas escalonadas ao longo do ano nas diferentes parcelas de vinhedos. Os vinhos tropicais estão conquistando um novo mercado, com características diferenciadas em relação à produção das tradicionais regiões de clima temperado.
Os tipos de produtos autorizados na IP são os vinhos tranquilos brancos, tintos e rosés e vinhos espumantes brancos e rosés (bruts, demi-secs e moscatéis), elaborados com 100 % de uvas produzidas na área geográfica delimitada. Foram autorizadas, para fins de elaboração dos vinhos, 23 cultivares de uvas Vitis vinifera L., indicadas pelos próprios produtores, pela adaptação e desempenho na região.
“Os vinhos tropicais do Vale do São Francisco são na sua maioria jovens, frescos, aromáticos, e estão disponíveis ao consumidor em qualquer época do ano,” ressalta Pereira.
Em geral os vinhos são frutados, de baixo teor alcoólico, de acidez moderada, podendo ser leves a encorpados, com predominância para vinhos jovens. O carro-chefe da produção são os espumantes, com aproximadamente três milhões de litros por ano, seguidos dos vinhos tranquilos, com produção de cerca 1,5 milhão de litros anuais.
Segundo dados da professora Ivanira Falcade, da UCS, a área delimitada da Indicação de Procedência Vale do São Francisco para os vinhos finos contempla os municípios de Juazeiro, Casa Nova, Sobradinho e Curaçá, na Bahia, e Petrolina, Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista e Orocó, em Pernambuco, todos integrantes da Rede Integrada de Desenvolvimento (Ride) Petrolina-Juazeiro.
Todas as atividades relacionadas à Indicação de Procedência do Vale do São Francisco serão acompanhadas e controladas pelo Conselho Regulador do Vinhovasf, que é formado por um grupo de sete profissionais ligados ao setor, com representantes dos produtores vitivinícolas e membros externos de instituições de apoio.
A voz do setor produtivo do Semiárido nordestino
Em 2003 foi criado o Instituto do Vinho do Vale do Vale do São Francisco – Vinhovasf, uma associação que reúne sete vinícolas do Vale do São Francisco e que atuará como gestor da Indicação de Procedência de vinhos Vale do São Francisco por meio de seu Conselho Regulador. Todos os produtores vitivinícolas da região poderão receber o selo da Indicação Geográfica de vinhos, desde que cumpram com os requisitos do Caderno de Especificações Técnicas e se submetam aos controles sob a gestão desse conselho.
O instituto vem se dedicando à organização da cadeia produtiva da uva e do vinho na região, representando a categoria nas inúmeras demandas coletivas, no apoio direto à divulgação e na busca da Indicação Geográfica.
Fonte: Embrapa
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Frutas brasileiras quase não são consumidas em outros países
Nesta semana o Brasil ganhou uma nova meta: exportar US$ 1 bilhão em frutas até o final de 2019. A projeção para este ano é fechar 2017 em US$ 870 milhões, segundo a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas (Abrafrutas).
O objetivo foi estipulado nesta quinta-feira (7) pela entidade em reunião com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, Apex-Brasil.
“Em 2016 exportamos um total de 780 mil toneladas de frutas, das 43 milhões de toneladas produzidas. É muito pouco, apenas 2,5% do total”, disse à Gazeta do Povo o diretor técnico da Abrafrutas, Jorge de Souza. Ele estima já neste ano um crescimento de 5% no volume enviado para fora do país.
Atualmente, o Brasil é o 3º maior produtor mundial de frutas e apenas o 23º exportador. Para mudar essa realidade, o convênio entre as associações prevê aportes de R$ 8 milhões na promoção de defesa dos interesses dos produtores e busca colocar o Brasil entre os dez maiores exportadores em uma década.
“O grande problema, mais do que tarifas e batalhas comerciais, são as barreiras sanitárias, pelo risco de inserção de pragas em outros países”, afirma Jorge de Souza. Também existem locais que determinam níveis diferentes de aplicações de defensivos agrícolas nos produtos, por exemplo. “A fruticultura é muito regulada no mundo inteiro”, destaca.
Os benefícios da expansão, destaca Jorge, vão além do comércio exterior, colaborando para a melhoria da qualidade dos produtos, a redução do desperdício e um incentivo a mais para um setor que emprega, em média, 2,5 trabalhadores por hectare de produção.
“A fruticultura é responsável, em seus elos de produção, por 16% da mão de obra do Brasil. É uma alternativa para produtores em momento de supersafra, equilibrando os custos. A expansão para o mercado internacional melhora a gestão interna”, comenta o especialista.
Para onde vão nossas frutas
Outra ação será o incentivo a mudanças na produção para atender diferentes países, principalmente da Ásia, um mercado para o qual o Brasil ainda exporta pouco.
“A população da Ásia nos próximos anos será 50% da mundial. Queremos atuar principalmente com China, Índia, Coreia, Japão, Taiwan, Singapura e Filipinas”, destaca, contando ainda que alguns setores já começaram essa ação, como a intensificação do envio de maçãs para a Índia. “Há um potencial de expansão muito significativo”, observou o presidente da Apex-Brasil, Roberto Jaguaribe.
Apesar disso, o foco até 2019 é ampliar as exportações para mercados onde o Brasil já está presente. Ele conta que a União Europeia é responsável por 70% das cargas brasileiras de frutas, seguida pelos Estados Unidos (15%), além de fatias de mercado na América do Sul e Oriente Médio.
“Com a ajuda da Apex poderemos participar de feiras e missões e visitar outros países. Um convênio como esse nos ajuda a fazer planejamento estratégico e se organizar melhor para estar nesses lugares”, afirmou o presidente da ABRAFRUTAS, Luiz Roberto Barcelos.
Para iniciar esse trabalho, a comissão entre a CNA, a Abrafrutas e a Apex confirmou presença na Feira Fruit Logística, em Berlim, na Alemanha, em 2018 e 2019.
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No interior de SP, colecionador de frutas cultiva mais de mil espécies, muitas delas raríssimas
Um colecionador de frutas raras? Sim!! Ele existe, mora no Brasil e cultiva mais de 1,3mil espécies de frutas exóticas em seu sítio no interior de São Paulo.
Tem gente que coleciona de tudo: latinhas de cerveja, selos, moedas, lego… Mas essa deve ser a primeira vez que você ouve falar sobre um colecionador de frutas. Ele existe, é paulista nascido em Piracicaba, e atende pelo nome de Helton Josué Teodoro Muniz.
Helton coleciona frutas raras e exóticas, tendo plantado mais de 1,3 mil espécies no Sítio Frutas Raras, localizado em Campina do Monte Alegre. Porém, quem vê tanta motivação não imagina as dificuldades encontradas pelo colecionador, que nasceu com uma disfunção neuromotora e só aprendeu a caminhar na adolescência. Hoje, aos 36 anos, ele confessa ter dificuldades em segurar uma semente.
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Aos 15 anos, Helton começou uma horta caseira com o objetivo de ajudar no orçamento doméstico. Como ainda não sabia nada sobre o assunto, precisou pesquisar e colocar em prática sua aprendizagem. Na mesma época, passou a se interessar por frutas raras quando descobriu uma espécie que não conhecia: a saputá. Com o tempo, a curiosidade só cresceu e hoje ele é reconhecido como um frutólogo respeitado.
Durante sua trajetória, Helton lançou o livro Colecionando frutas – 100 espécies de frutas nativas e exóticas, onde compartilha um pouco do que aprendeu neste tempo. No livro, ele descreve método de cultivo e propriedades nutricionais e medicinais de 68 plantas nativas e 32 exóticas e inspira outras pessoas que tenham interesse em seguir seu exemplo.
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Fonte: Hypeness



