
De tinta a remédio: cinco usos da soja que você provavelmente não sabia
Na última safra de grãos 2015/16, o Brasil produziu mais de 95 milhões de toneladas de soja. Do total produzido, de acordo com a Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja), 44% do grão é exportado in natura, 40% é processado e 7% é estocado. Do volume processado, 79% vira farelo de soja e o restante, 21%, transformado em óleo. Praticamente metade do farelo é usado no consumo doméstico como ração animal. E a maior parte do óleo de soja tem com destino a alimentação humana e biodiesel.
Mas você sabia que os derivados da soja podem ter muito mais utilidades do que a gente imagina?
1) Tintas a base de soja
A tinta a base de soja pode ser usada na impressão de jornais e revistas no processo offset. Segundo especialistas, ela é mais fácil de ser removida do papel no processo de reciclagem e possue cores mais vivas.
2) Cosméticos
A lecitina (composto orgânico formado por um ou mais ácidos graxo), encontrada naturalmente na soja, pode ser utilizada na composição de cosméticos, como pomadas e cremes, e ajuda a evitar o ressecamento da pele.
3) Indústria farmacêutica
O grão de soja contém grandes quantidades de isoflavonas, substância que reduz a degradação do tecido e do colágeno na pele pois combate os radicais livres e ajuda na prevenção do envelhecimento. Cápsulas contendo extrato de soja podem ajudar. Além disso, algumas proteínas da soja tem comprovadamente benefícios na diminuição dos sintomas da menopausa.
4) Espumas
No Brasil ainda é muito pouco utilizado, mas os norte-americanos já produzem espumas a base de soja há pelo menos 10 anos. O material tem como destino o setor de móveis, além de ser utilizado por fábricas de colchões e até pela indústria automobilística.
5) Broto de soja e soja verde
A Empresa Brasileiro de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tem se dedicado há vários anos no melhoramento genético da soja voltado para o consumo humano. De acordo com a pesquisadora, Mercedes Panizzi, a equipe trabalha no desenvolvimento de alternativas de consumo como o broto de soja e a soja verde. “Temos linhagens avançadas em avaliação, que apresentam sementes pequenas para produção de brotos, sementes grandes para usos como soja verde ou “edamame”, e soja preta, que pelas suas propriedades antioxidantes pode ser ingrediente de alimentos funcionais. A soja verde, antes de amadurecer, pode ser consumida como um amendoim”, explica Mercedes.

Soja sustentável será impulsionada pelo recorde da produção brasileira do grão até 2025, por Olaf Brugman
Publicado em 13/07/2016 10:01
Olaf Brugman é presidente da Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS)
Mais uma vez as projeções para a produção de soja são excelentes para quem trabalha com o grão. Segundo dados recentes da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), o Brasil será o maior produtor de soja do mundo até 2025 e irá ultrapassar os EUA, sendo responsável por uma parte significativa da expansão agrícola nos próximos dez anos.
A produção atingirá 135 milhões de toneladas e será suficiente para abastecer tanto o setor de óleos vegetais quanto como proteína para os animais. A produção de soja responsável, certificada pela Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS), será impulsionada por esse recorde na produção brasileira e, até 2020, estamos trabalhando para que o país alcance pelo menos 5 milhões de soja responsável.
Nosso objetivo é promover a produção de soja responsável por meio da melhoria da gestão da produção e permitir que todos os atores da cadeia de abastecimento da soja também assumam sua responsabilidade. O padrão RTRS de produção define os seguintes critérios e requisitos para se tornar um produtor certificado: cumprimento legal e boas práticas empresariais, condições de trabalho responsáveis, relações responsáveis com as comunidades, responsabilidade ambiental e boas práticas agrícolas.
Para os produtores, as principais vantagens econômicas são as oportunidades de acesso a mercados internacionais e programas de financiamento, possibilidade de recompensa decorrente da venda de material certificado e redução dos custos devido ao maior controle sobre os insumos. Além disso, existem duas formas de comercializar produção certificada RTRS: a possibilidade de venda de créditos (um crédito é igual a uma tonelada de soja certificada RTRS) ou a comercialização do material físico. Em ambos os casos, por meio de uma plataforma tecnológica de comercialização, o RTRS facilita a vinculação entre produtores e compradores, otimizando o processo de comercialização.
Em relação ao meio ambiente, os benefícios são a manutenção da biodiversidade e alto valor de conservação, melhoria no solo e qualidade da água, redução da poluição, menor produção de resíduos por meio de aplicação sistemática e reconhecida de técnicas de Manejo Integrado de Cultivos. O intuito do RTRS é atender a crescente demanda mundial por alimento, uma vez que a soja é a maior fonte de proteína disponível.
Sobre a RTRS
Fundada em 2006, a Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS) é uma iniciativa internacional pioneira formada pelos principais representantes da cadeia de valor da soja, como produtores, indústria, comércio, finanças e a sociedade civil. Os atores dessas diferentes áreas se reúnem em torno de um objetivo comum, garantindo o diálogo e a tomada de decisão por consenso. A missão da entidade é promover o uso e o crescimento da produção sustentável de soja e, por meio do Padrão RTRS de Produção Responsável da Soja, aplicável mundialmente, garantir uma produção ambientalmente correta, socialmente adequada e economicamente viável. É hoje o sistema mais confiável e avançado do mercado de soja brasileiro para alcançar a sustentabilidade. Atualmente a RTRS conta com mais de 180 membros dos países do mundo inteiro. Os princípios e critérios da RTRS são o único padrão multipartes que garante o Desmatamento Zero na produção de soja responsável. www.responsiblesoy.org/pt.
Fonte: RTRS

Soja: Mercado se recompõe em Chicago e abre a semana com fortes altas nesta 2ª feira
Publicado em 27/06/2016 07:38
Uma nova semana se inicia e o efeito da tensão no mercado financeiro registrada na última semana parece ter perdido força entre o mercado de grãos na Bolsa de Chicago, o qual opera em campo positivo. Os futuros da soja lideram as altas na sessão desta segunda-feira (27) e os principais contratos subiam, por volta das 7h15 (horário de Brasília), mais de 19 pontos. Dessa forma, somente o contrato novembro/16 ainda operava abaixo dos US$ 11,00 por bushel.
Segundo analistas internacionais, o foco dos traders passa a se voltar, portanto, para os fundamentos próprios desse mercado, que passa ainda por um ajuste depois das baixas fortes registradas nas últimas sessões. Dessa forma, o clima nos Estados Unidos e a demanda internacional, principalmente por parte da China, passam a ganhar a maior parte das atenções novamente. Na última semana, as cotações perderam cerca de 6% na CBOT.
“A soja tem, certamente, o equilíbrio mais forte quando se observa o mercado de grãos. Temos visto o clima direcionando o andamento dos preços, além de uma demanda chinesa muito forte”, explica Graydon Chong, analista sênior de grãos do internacional Rabobank.
Assim, as previsões climáticas atualizadas nesta segunda-feira e mais os dois novos boletins que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz nesta hoje – sendo o primeiro de embarques semanais e o segundo de acompanhamento de safras – serão aguardados pelos investidores e avaliados com atenção. Ainda nesta semana, na quinta-feira (30), o USDA traz um novo reporte com números atualizados sobre a área de plantio do país na safra 2016/17, o que pode trazer alguma especulação ao redor dos números.
Além disso, o acompanhamento do financeiro também segue, principalmente em relação aos efeitos da saída do Reino Unido da União Europeia, anunciada na última semana. A recuperação das commodities é quase geral neste início de semana, a exceção fica por conta do café, que perde mais de 3% em Nova York, e do petróleo, que opera com baixa de pouco mais de 0,4% na bolsa norte-americana, ainda atuando na casa dos US$ 47,00 por barril.
Veja como fechou o mercado na última semana:
Soja tem semana de baixas com financeiro negativo, mas preços no Brasil devem voltar a subir
A decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia anunciada nesta sexta-feira (24) corou a semana negativa do mercado internacional da soja e mercado pela forte influência do mercado financeiro global. Durante os últimos dias, as especulações em torno do assunto foram tão intensas que contribuíram para uma maior aversão ao risco e, consequentemente, uma saída intensa dos fundos de investimento do mercado de commodities, entre eles a oleaginosa.
Segundo explicou o analista de mercado e economista Camilo Motter, da Granoeste Corretora de Cereais, durante toda a semana, os fundos trabalharam com a perspectiva forte de que o Reino Unido permaneceria no bloco e alocaram recursos diante desse quadro. Quando a decisão foi contrária, “houve um desmantelamento dessas posições e os fundos tiveram de realocar esses recursos”, explica. E assim, buscando rentabilidade e segurança, migraram para ativos mais seguros como moedas – principalmente o dólar -, títulos dos tesouros americano e japonês, além do ouro, este registrando sua maior alta diária desde 2008.
Dessa forma, as baixas registradas no final da sessão desta sexta-feira superaram os 20 pontos entre os principais contratos, ou mais de 2%, com as posições mais distantes encerrando o dia já abaixo dos US$ 11,00 por bushel. No balanço semanal, porém, as perdas oscilam entre 4,87% e 6,07% na Bolsa de Chicago. O novembro/16, que é referência para a safra norte-americana, foi o que mais recuou e fechou a semana cotado a US$ 10,78 por bushel.

O impacto desse momento dessa “financeirização” do mercado internacional da soja, porém, deverá ser limitado, ainda segundo explica Camilo Motter, uma vez que os fundamentos próprios desse mercado são fortes nesse momento e o desenrolar do clima no Meio-Oeste americano e seu impacto sobre a safra 2016/17 do país deverá ser o principal componente de formação dos preços a ser observados daqui em diante, ao lado da ajustada relação de oferta e demanda que ainda permeia os negócios.
Embora as condições de clima no Corn Belt venham permitindo um bom desenvolvimento daa plantações norte-americanas nas últimas semanas – 73% delas estão em boas ou excelentes condições – e, portanto, venha ajudando a pressionar os preços nos pregões mais recentes, as expectativas de situações mais adversas no período dos próximos dois meses, em função do La Niña, podem mudar este quadro no mercado em Chicago. A volatilidade típica desse intervalo, no entanto, será inevitável.
“Neste momento, os preços estarão cada vez mais sensíveis às especulações, previsões e fatos climáticos”, afirma Motter. “Não acredito que voltamos tão cedo a patamares tão baixos, será preciso ver a safra confirmada. Por enquanto, existe todo esse risco climático pela frente e os preços mantêm esse risco, mesmo que haja condição de momento boa”, completa.
De acordo com as últimas previsões trazidas pelo NOAA – o departamento oficial de clima dos Estados Unidos -, os próximos dias contam ainda com a chegada de algumas chuvas leves, quando, em seguida, chega um clima de temperaturas mais amenas e com tempo seco. Já para o intervalo dos próximos 6 a 10 dias, de 29 de junho a 3 de julho, as precipitações deverão ficar abaixo da média. E para mais a diante, ainda como explica Motter, já são esperados focos de estiagem de no Meio-Oeste americano.
Mercado Brasileiro
A conjunção de fatores negativos atuando sobre os preços da soja na Bolsa de Chicago também influenciou o mercado brasileiro da oleginosa. Nos portos, as baixas superaram os 5%, no balanço semanal, enquanto as principais praças de comercialização perderam entre 2,28% e 5,93%. Dessa forma, os negócios caminharam em ritmo bastante lento.

“Essa semana foi de trava total, praticamente não houve negócios, a não ser em uma necessidade maior de venda. E o produtor vai continuar acompanhando, porque aposta muito forte na estressafra brasileira. O ritmo de exportações tem força, os volumes vão bater os do ano passado e deve haver uma disputa grande pelos lotes de soja disponíveis internamente”, explica Motter.
Apesar do recuo semanal registrado pelos preços internos, os mesmos ainda são remuneradores e criam boas oportunidades para o sojicultor brasileiro. Entretanto, como relatou o analista, a aposta do produtor é maior para os meses seguintes, onde a oferta deverá se ajustar ainda mais, com os preços no interior do Brasil podendo se manter acima da paridade de exportação.
“O produtor está bem capitalizado e com condições de esperar momentos melhores”, completa analista. No porto de Rio Grande, a soja disponível terminou a semana cotada a R$ 89,00 por saca, enquanto em Paranaguá foi a R$ 93,00. Já para o produto da nova safra preços de, respectivamente, R$ 86,00 e R$ 86,50 por saca.
- Por: Carla Mendes
- Fonte: Notícias Agrícolas

Estoque de soja cresce em 2015, mas milho registra maior volume
- Estadão Conteúdo Web
Apesar de uma redução de 9,5% em comparação a 2014, cereal fecha ano com o maior volume de grãos em estoque
De acordo com dados da Pesquisa de Estoques divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (09), a soja em grão alcançou um volume estocado de 3,2 milhões de toneladas no Brasil em 31 de dezembro de 2015, um aumento de 2,6% na comparação com o mesmo período de 2014. O volume é pequeno frente à produção nacional de 97 milhões de toneladas do ano passado, mas a oleaginosa foi o único produto que teve crescimento em volume estocado.
No entanto, o milho em grão foi o produto com maior volume estocado, de 10,1 milhões de toneladas, apesar de uma redução de 9,5% em comparação a 31 de dezembro de 2014. Segundo o IBGE, a queda do estoque está relacionada ao aumento das exportações do produto, impulsionadas por problemas climáticos em áreas produtoras no mundo.
“A soja teve safra recorde e o produtor optou por deixar o produto estocado até o preço melhorar”, explica o gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE, Mauro Andreazzi.
Percentualmente, o trigo em grão teve a maior queda de estoque, de 25,1%, para 4,4 milhões de toneladas. O comportamento é explicado pelo efeito da chuva excessiva sobre as lavouras da região Sul, que concentra 90% da produção nacional. O volume estocado de arroz em casca também recuou 9,5%, para 1,9 milhão de toneladas.
Já o café em grão teve uma redução de 16,7% em seus estoques, que passaram a 1,1 milhão de toneladas. A queda dos estoques é explicada pela seca que afetou a produção brasileira de café nos últimos anos.
Segundo Andreazzi, o Brasil tem uma capacidade de armazenagem satisfatória. Levando em conta a estimativa de safra de grãos no Brasil este ano (195,9 milhões de toneladas) mais a produção de café prevista (3 milhões de toneladas), seria possível armazenar 83,5% desse volume nos estabelecimentos ativos. Somados os inativos esse porcentual subiria a 92,7%. “Temos boa capacidade de armazenagem, o problema é a distribuição da produção”, conclui.
Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/agricultura/estoque-de-soja-cresce-em-2015-mas-milho-registra-maior-volume-8jhft71khnldejvh7x6qb6ed4

Exportações de soja têm melhor maio da história
Publicado em 02/06/2016 13:45
Volume do grão vendido ao exterior atingiu recorde pelo terceiro mês consecutivo comparado com o mesmo período do ano passado
As exportações de soja bateram recorde e fizeram do último mês o melhor maio da história para o setor. Foram 9,91 milhões de toneladas, ante 9,3 milhões de toneladas exportadas no mesmo mês de 2015. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), divulgados nesta quarta-feira (1º).
Conforme o MDIC, a soja vendida no exterior em março de 2016 movimentou cerca de US$ 3,60 bilhões (US$ 363,1 por tonelada). Apesar de o volume comercializado ter sido maior em 2016, o valor comercializado neste ano foi menor do que no mesmo período do ano passado. Na época, os preços estavam melhores (US$ 386,8 por tonelada). Em maio de 2015, foram movimentados US$ 3,61 bilhões.
Na comparação entre o volume de soja exportado em maio e em abril, houve queda de 5,1%. Em abril de 2015, houve a exportação de 9,91 milhões de toneladas, enquanto que em abril deste ano foram 10,08 milhões de toneladas.
Maio foi o terceiro mês seguido de recorde na comparação mês/mês do ano anterior. Emmarço, o Brasil enviou para o exterior 8,3 milhões de toneladas (ante 5,5 milhões de toneladas em março de 2015). Em abril, o país embarcou para fora 10,08 milhões de toneladas(ante 6,55 milhões de toneladas em 2015).
Leia a notícia na íntegra no site Gazeta do Povo

Soja em Chicago já sobe mais de 9% em abril com volta dos fundos à ponta compradora do mercado
Publicado em 26/04/2016 12:31 e atualizado em 26/04/2016 13:41
Especulações climáticas estimulam compra dos fundos e preços sobem na CBOT
Há meses o mercado internacional de grãos não passava por sessões tão voláteis como as que foram registradas nas últimas semanas. A volta dos fundos de investimento aos negócios atuando de forma mais rápida e agressiva trouxe esse movimento de volta e fez com que os futuros da soja e do milho, por exemplo, registrassem expressivas altas.
Nos últimos 20 dias, o contrato maio/16 da soja subiu de US$ 9,1350 para US$ 9,975 por bushel, acumulando um ganho de 9,20%, enquanto, no mesmo período, o agosto/16 avançou 9,47%, subindo de US$ 9,2425 para US$ 10,1175. No caso do milho, o maio/16 foi de US$ 3,5450 para US$ 3,7700, com uma alta de 6,35%, já o setembro/16 passou de US$ 3,6175 para US$ 3,8225, registrando um incremento de 5,67%.
Dessa forma, os fundos aumentaram suas apostas altistas nos grãos no ritmo mais rápido em seis anos, segundo aponta um levantamento do site internacional Agrimoney. De acordo com números do do regulador Commodity Futures Trading Comission (CFTC), os investidores aumentaram sua posição líquida comprada em futuros e opções nas 13 principais commodities agrícolas negociadas nas bolsas norte-americanas na última terça-feira (19) para 323,995 mil lotes, consolidando o maior movimento de alta em todo o complexo de agrocommodities desde o último mês de março.

A atuação daqui em diante desses fundos e o destino do dinheiro administrado nesses ativos, porém, ainda gera algumas incertezas. Afinal, como explicam analistas de mercado, parte desse movimento foi intensamente motivado pelas especulações climáticas tanto nos Estados Unidos quanto na América do Sul.
“A situação deverá ser de bastante volatilidade agora”, diz Glauco Monte, diretor de commodities da FCStone. Para o executivo, o mercado de grãos viu ainda a chegada de um prêmio de risco climático neste período de início de plantio da nova safra, o que é normal para esta época da temporada e algo que também atrai os fundos investidores. “O mercado estava muito baixo e precisava subir para estimular o plantio”, completa.
E Monte complementa dizendo que “qualquer problema na América do Sul acaba gerando mais demanda para os Estados Unidos. E diante da queda no câmbio no cenário internacional, os produtores norte-americanos voltaram a ser mais competitivos. Semana após semana temos visto os números das exportações melhores, isso contribuiu para acelerar as cotações em Chicago”.
Clima na América do Sul
As previsões e condições climáticas deixaram os mercados totalmente agitados nesses últimos dias. E um dos locais que mais chamaram a atenção dos traders e investidores foi a Argentina e o excesso de chuvas que resultou em perdas bastante severas nas lavouras locais de soja.
O país viveu semanas consecutivas de precipitações fortes e sem trégua, que promoveram um atraso da colheita e a deterioração das plantações, que vinham perdendo a qualidade dia a dia por conta desse quadro. Segundo as últimas projeções oficiais do governo argentino, as perdas serão de, ao menos 4 milhões de toneladas, o que deve levar a produção a algo próximo de 57 milhões de toneladas.
No Brasil, situação inversa. A safra das regiões Norte e Nordeste, principalmente da área conhecida como Matopiba – Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – passaram meses sem a quantidade adequada de água e, como relata o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, a baixa deve chegar a 2 milhões de toneladas nessa conclusão de ciclo. Traders internacionais têm um consenso, como explica o consultor, de que a safra do Brasil nesta temporada deva se concluir com algo entre 98 e 98,5 milhões de toneladas.
Nesta semana, o cenário climático no Brasil começou a mudar em função do término de um bloqueio atmosférico que estava sobre a região Central do país, promovendo essa estiagem. “As chuvas tão esperadas chegaram e estão chegando à diversas localidades das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste”, afirma Marco Antônio dos Santos, agrometeorologista.
Ainda segundo suas últimas previsões, há chuvas que podem chegar também sobre as regiões produtoras do Matopiba entre a quinta (28) e sexta-feira (29) dessa semana. “Como irá ocorrer na maioria das regiões, os volumes totais de chuvas acumulados com a passagem dessa frente não serão altos, variando entre 5 a 30 mm em média”, explica o especialista.


Dessa forma, a última estimativa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) para a safra mundial 2015/16 de soja deverá ser reduzida, ainda de acordo com Brandalizze, de 320,2 milhões de toneladas para, ao menos, algo perto de 314 milhões com essa quebra recém contabilizada na América do Sul.
Enquanto isso, a demanda vem se fortalecendo e a projeção do departamento norte-americano, portanto, também deveria ser corrigida, nesse caso para cima, e chegar a, ao menos, 320 milhões de toneladas, ainda de acordo com o que estima Brandalizze.
Clima nos Estados Unidos
A nova safra dos Estados Unidos está apenas começando e as condições de clima, até este momento, se mostram favoráveis, o que já leva os atuais índices de plantio, principalmente do milho, a superarem as médias plurianuais e o registrado no mesmo período do ano passado.
O USDA trouxe, nesta segunda-feira (25), seu novo reporte semanal de acompanhamento de safras e os primeiros números da soja começam a aparecer, ainda que de forma bastante tímida. Até o último domingo (24), o plantio da oleaginosa já havia sido concluído em 3% da área, ligeiramente acima dos 2% da média dos últimos cinco anos e do mesmo período do ano anterior. Já a semeadura do milho avançou, em uma semana, de 13% para 30%. Em 2015, nesse mesmo período, o plantio estava feito em 16% da área, número que também é a média dos últimos anos. A expectativa do mercado variava de 25% a 30% para esta semana.
para analsitas internacionais, esse ritmo rápido na semeadura se dá às boas condições de clima no Meio-Oeste americano, aliado a avanços tecnológicos aplicados nos trabalhos de campo, bem como o trabalho duro dos produtores locais, que lutam contra o tempo para não perderem essa boa janela climática. Algumas áreas, nas próximas semanas, porém, poderiam perder parte dessa velocidade por conta de chuvas acima da média.
Os últimos mapas climáticos do NOAA, o serviço oficial de clima dos EUA, indicam que, nos próximos sete dias, as Planícies do Sul poderão receber fortes precipitações, com volumes elevados em nos vales dos rios Mississipi e Ohio.
Já na segunda semana de maio, como mostram os mapas dos próximos 6 a 10 e 8 a 14 dias, o padrão deverá ser de tempo mais seco.


No entanto, as dúvidas sobre a continuidade desse ambiente favorável para a nova safra norte-americano seguem gerando dúvidas e, consequentemente, volatilidade ao mercado internacional de grãos, já que deverá impactar, diretamente, as decisões dos fundos investidores daqui para frente.
Para Andrea Cordeiro, analista de mercado da Labhoro Corretora, essa é a grande chave de definição para o posicionamento desses fundos. “Será que esses fundos continuarão a aumentar tais posições? Será que a defenderão nos recuos? Será que com a evolução da safra americana os fundos abandonarão as compras? Essas perguntas valem milhões e milhões de dólares”. Essas são, segundo Andrea, as questões que os investidores deverão levantar diariamente até que uma definição esteja mais clara sobre o clima.
E há ainda as perspectivas sobre a confirmação ou não de um La Niña seguindo um dos mais fortes El Niños de todos os tempos. “No momento os mapas NÃO confirmam a entrada do La Niña. Mas apertem os cintos porque nesta semana, o ENSO atualizará as previsões sobre El Niño/La Niña, o que pode alimentar especulações nervosas em Chicago”, diz a analista.