
Dia do Trabalhador Rural é celebrado por brasileiros
Fundadora da primeira Edtech de inglês técnico para o agronegócio comenta
Comemorado no dia 25 de maio, a data é uma homenagem para pessoas que trabalham no campo e tem como marco a morte do deputado federal Fernando Ferrari, que sempre lutou pelo direito destes trabalhadores
O agronegócio está em constante crescimento no Brasil. Para se ter uma ideia, de acordo com pesquisa recente divulgada pelo Censo Agropecuário do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a área destinada para agricultura e pecuária no país cresceu 5% em 2018. Devido a importância desse segmento no país – que concentra um grande território para o plantio e criação de animais -, é celebrado no dia 25 de maio, o Dia do Trabalhador Rural, em referência a data de falecimento do deputado federal Fernando Ferrari, um político que lutava pelos direitos dos trabalhadores do campo.
Rízia Prado, fundadora da GreenGo Inglês, primeira Edtech que oferece um curso online de inglês voltado para o agronegócio, sabe da necessidade de dedicar uma data para estes profissionais. Rízia, após acumular mais de cinco anos de experiência ministrando aulas de inglês, desenvolveu o curso ISA (Inglês de Sucesso Agro), que é o único treinamento completo de inglês online para o agronegócio do Brasil e que se tornou referência no setor.
A especialista comenta a importância da data dedicada aos profissionais do agro: “O Dia do Trabalhador Rural não homenageia apenas aqueles que trabalham no campo, mas também propõe um momento de reflexão sobre a dedicação desses profissionais que, por conta desse crescimento, buscam cada vez mais sua profissionalização na área, como um curso de inglês técnico e específico para o setor”, diz.
Ela ressalta, ainda, que há muitos motivos para comemorar o Dia do Trabalhador Rural. “Mesmo que hoje já existam muitas tecnologias que estão substituindo o trabalho desses profissionais, não devemos parar de divulgar a importância da mão de obra nas fazendas que, de qualquer forma, representam um trabalho essencial para a melhoria na qualidade dos alimentos”, ressalta Rízia Prado.
Rízia apoia muito essa data, pois sempre teve afinidade com o agronegócio, além de morar em uma das regiões do Brasil com o maior número de fazendas: o estado de Goiás. Após oito anos morando nos Estados Unidos – onde teve o primeiro contato com o mundo agro, já que se formou em gastronomia e passou a atuar na horta da universidade -, Rizia voltou ao Brasil e passou a dar aulas de inglês em escolas tradicionais e também a se dedicar a traduções de artigos técnicos do setor agro.
Nessa época, passou a atender também alunos particulares, sendo que muitos vinham atrás de mais conhecimento sobre termos e expressões do mundo do agronegócio. Foi justamente por isso que ela teve a ideia de criar um método para ensinar o inglês voltado especificamente para o agronegócio, que fugisse da metodologia aplicada nas tradicionais escolas de inglês – que, muitas vezes, não proporcionam o resultado esperado para os alunos.
Assim, o ISA foi criado, por meio de um método exclusivo e online, intitulado por Rizia como “raiz”, dentro do qual ela ensina formas práticas de utilizar a língua inglesa no mundo agro. “Qualquer pessoa pode se inscrever. Atualmente, com mais de 1.000 alunos, já posso perceber que diferentes perfis têm me procurado para aprender o inglês agro. Tenho desde estudantes até profissionais que já atuam no setor e precisam se aperfeiçoar”, salienta a empreendedora, que fechou 2018 com faturamento de R$ 500 mil.
A pessoa que se inscrever no ISA estará preparada para participar de reuniões no exterior, realizar vendas, entender o manual de instruções de maquinários modernos, além de aprender diversas expressões únicas do universo agro. “Acredito que a profissionalização seja uma forma de mantermos essa profissão, de uma maneira atualizada, em que os profissionais estarão com uma maior capacitação para ampliar ainda mais o setor no Brasil”, finaliza.
Sobre Rizia Prado – Com quase 10 anos de vivência internacional, é especializada em Gastronomia pela Guilford Tech, tendo trabalhado em fazendas da Carolina do Norte (EUA), e é formada em ESL (English as a Second Language) pela Oxford Seminars, de Nova York. Atuou durante anos no setor de agronegócio como tradutora de artigos técnicos, e desenvolveu o método inédito e exclusivo Raiz com o curso ISA (Inglês de Sucesso Agro), disponível na plataforma GreenGo Inglês, o único treinamento completo de inglês para o agronegócio do Brasil.

Tereza Cristina: “Nossa agricultura precisa de mais tranquilidade, de mais segurança para produzir” (MAPA)
Ministra defende reformulação no programa de subvenção ao seguro rural para proporcionar mais proteção aos agricultores contra os riscos de perda da safra
A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) afirmou nesta terça-feira (23) que melhorar o programa de subvenção ao seguro rural será fundamental para dar mais segurança aos produtores rurais brasileiros, que correm muitos riscos de perda de safra devido a problemas climáticos. A ministra participou no fim da manhã do Seminário Internacional do Seguro Rural, na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília.
O evento acontece num momento em que os ministérios da Agricultura e da Economia discutem elevação dos valores destinados à subvenção do seguro no Plano Safra 2019/2020. Tereza Cristina defende ampliar o valor destinado à subvenção do seguro dos R$ 440 milhões deste ano para R$ 1 bilhão na próxima safra, o que ajudaria a reduzir os riscos embutidos nos financiamentos agrícolas e, com isso, a diminuir também as taxas de juros cobradas pelos bancos.
“O seguro é uma das ferramentas que podem levar mais tranquilidade para aqueles que estão no campo produzindo. Nossa agricultura precisa de mais tranquilidade, de mais segurança para produzir”, afirmou Tereza Cristina. “A gente viu esse ano vários acontecimentos: no Brasil tivemos seca no início do ciclo, depois nos Estados Unidos ocorreram as inundações pós-colheita e antes da safra, causando prejuízos, e depois, na Austrália, os problemas na pecuária. Construindo juntos uma boa política de seguro, avançando ano a ano, acho que a gente pode levar a tranquilidade para o campo que os produtores brasileiros tanto precisam”.
O seminário foi organizado pelo Ministério da Agricultura e pela CNA e teve dois painéis, um nacional e outro internacional, em que foram debatidas as políticas de seguro rural de países como Espanha, Estados Unidos, México e Índia, além de um panorama sobre o modelo brasileiro e os desafios do país.
A ministra destacou a importância do evento para a agricultura brasileira na construção de um seguro que garanta não só o pagamento dos financiamentos bancários quando o produtor estiver com problemas, mas que garanta renda para ele sobreviver durante o ano.
“É muito bom quando a gente tem aqui pessoas de vários países contando as suas experiências, dizendo onde já se chegou, há quantos anos eles estudam essa política pública. A gente precisa ver que temos muito a andar, muito a fazer pela agricultura brasileira. Tenho certeza de que as experiências são muito importantes para que, a cada ano, se dê um passo maior, aperfeiçoe mais essa política. (É preciso) que todos agricultores brasileiros tenham interesse, principalmente, no seguro de renda, não só no seguro para se pagar ao banco. Quando ele tiver um problema realmente, que tenha tranquilidade de saber que vai sobreviver àquele acidente naquele ano, e vai continuar a produzir no próximo”.
Em entrevista, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Eduardo Sampaio, destacou a experiência de outros países, nos quais os governos promoveram outros serviços (além da subvenção) que atraíram seguradoras privadas.“O Estado pode prover outros serviços que são tão importantes quanto a subvenção, como o zoneamento agrícola. O seguro é uma coisa complexa para o produtor, então existem outros serviços e outras coisas para acontecer que dependem do Estado, e coisas que não dependem e que são muito importantes para o seguro, tão importantes quanto a subvenção”.
Fonte: Mapa

SAIBA A MELHOR ÉPOCA PARA REALIZAR A ADUBAÇÃO NITROGENADA, SEGUNDO EMBRAPA
A adubação nitrogenada é uma prática eficiente para melhorar a produtividade e a qualidade da pastagem. No entanto, a eficiência da aplicação de Nitrogênio (N) depende de condições climáticas favoráveis: temperatura e disponibilidade hídrica.

Cepea: PIB do agronegócio mineiro cresce 1,57%
O Produto Interno Bruto (PIB) do Agronegócio de Minas Gerais, calculado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, apresentou alta de 1,57% na renda anual de 2018, com base em dados disponíveis até julho/18. Segundo pesquisadores do Cepea, esse resultado foi motivado principalmente pelo ramo agrícola, que teve alta de 4,92%, enquanto o pecuário apresentou baixa de 2,12%.
Tabela: Taxas de variação anuais do PIB do Agronegócio (2018/2017, valores em %), de janeiro a julho/18
| Insumos | Primário | Indústria | Serviços | Agronegócio | |
| Agropecuária | 0,12 | 0,12 | 6,42 | -0,46 | 1,57 |
| Ramo Agrícola | 1,21 | 3,46 | 9,07 | 1,19 | 4,92 |
| Ramo pecuário | -0,71 | -1,39 | -6,43 | -2,42 | -2,12 |
Resultados por Segmentos
INSUMOS
O segmento de insumos do agronegócio apresentou ligeiro crescimento de 0,12% no período de análise (até julho). Houve comportamento distinto entre os segmentos, com alta de 1,21% para o agrícola, motivado pela valorização dos fertilizantes e combustíveis, e queda de 0,71% no pecuário, influenciada pela baixa na atividade de alimentação para animais.
PRIMÁRIO
O segmento primário agrícola teve alta de 3,46% no estado, devido ao crescimento verificado em atividades agrícolas importantes em Minas Gerais, como café, soja e milho. Já quanto ao segmento primário pecuário, recuou 1,39% no estado mineiro. Apenas as atividades relacionadas à bovinocultura de corte apresentaram alta no período, motivada principalmente pelo aumento na quantidade produzida. Para as demais atividades acompanhadas, foram verificadas baixas, com destaque para suínos, leite e ovos, devido às acentuadas quedas de preços).
AGROINDÚSTRIA
A agroindústria de base agrícola teve alta de 9,07% em 2018 (até julho), motivado pelo crescimento em atividades de grande peso no estado, como etanóis e café. Já entre atividades que apresentaram baixa, destacam-se açúcar e óleo de soja refinado. A agroindústria de base pecuária, por outro lado, recuou 6,43%. Foram verificadas quedas em quase todas atividades industriais pecuária acompanhadas, com exceção de carne de vacas. A principal motivação para a baixa no valor das atividades pecuárias foi a queda de preços, com destaque para a carne de suínos e leites em pó e pasteurizado.
Fonte: Cepea

Brasil pode ter a maior safra da história em 2019, afirma Roberto Rodrigues
Coordenador do Centro de Agronegócio da FGV espera que o próximo ano traga mais de 1 bilhão de toneladas em produtos agrícolas.
As perspectivas para o agronegócio no Brasil em 2019 são muito boas. É o que afirma Roberto Rodrigues, Coordenador do Centro de Agronegócio da FGV e ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Segundo ele, se não tivermos empecilhos com o clima devemos colher a maior safra da história. Serão cerca de 240 milhões de toneladas de grãos e 640 milhões de toneladas de cana. O ex-ministro espera mais de 1 bilhão de toneladas em produtos agrícolas no próximo ano.
Apesar disso, Rodrigues acredita que alguns problemas devem persistir. A logística não foi resolvido, o frete ficou mais caro — principalmente com a instituição da tabela de frete, após a greve dos caminhoneiros em maio de 2018 — e os fertilizantes ficaram mais caros. Esses empecilhos devem diminuir as margens do produtor.
Leia a notícia na íntegra no site do Globo Rural.

Valor da Produção Agropecuária de 2019 deverá superar o deste ano
Soja e cana representaram 35,8 % do total, de acordo com dados disponíveis até novembro
Apesar de informações ainda preliminares sobre a próxima safra, os dados disponíveis apontam para valor bruto da produção( VBP ) de R$ 584,6 bilhões para as principais lavouras e pecuária. Esse montante supera em 1,9 % em termos reais o de 2018, que deve fechar o ano próximo de R$ 573,87 bilhões. Soja e cana de açúcar, continuam liderando a relação de produtos analisados no acompanhamento do período em vigor.
Neste ano, entre janeiro e novembro, as lavouras apresentaram retração de 1,9 % no VBP em relação ao ano passado. Deve haver ainda alguma mudança, mas a safra está praticamente encerrada, adverte o coordenador-geral de Estudos e Análises da Secretaria de Política Agrícola do Mapa, José Garcia Gasques. As informações fechadas deste ano serão conhecidas no próximo mês de janeiro.
Um grupo relativamente pequeno de produtos sustentou o VBP do período em curso. Foi o caso do algodão, com aumento de 47 % no VBP, cacau (34,9 %), café (10,2%), soja (12,5%) e trigo (73 %). Esse grupo beneficiou-se de preços mais elevados ano e também por extraordinário aumento de produção, revela Gasques.
Os produtos que lideram a produção, são soja, cana-de-açúcar, milho, algodão herbáceo e café geraram 80% do valor das lavouras. Nesse grupo, a soja se destaca com o maior valor gerado, de R$ 143,5 bilhões em 2018.
Outro grupo relativamente grande teve desempenho menor. “E isso deve, em geral à queda na produção e a preços mais baixos”, explica o coordenador. “Como se sabe, a produtividade e os preços têm forte influência no valor da produção. E, por essa razão, esse grupo de produtos teve desempenho inferior”.
Destacam-se no grupo amendoim, arroz, banana, café (arábica e conilon), cana-de-açúcar, feijão, mandioca, laranja e uva. Todos esses tiveram VBP inferior ao do ano passado. Os produtos da pecuária, como em relatórios anteriores, têm apresentado resultados negativos do VBP, destacando-se carne suína e ovos, com as maiores reduções.
Entre os estados pesquisados, a liderança do VBP é do Mato Grosso, seguida por São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que produziram 59,7 % do valor total da agropecuária.

Estamos à beira de uma epidemia de ferrugem, mas os produtores não acreditam
José Renato Farias – Diretor Geral Embrapa Soja – Londrina/PR
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Estamos à beira de uma epidemia de ferrugem mas os produtores não acreditam
O Notícias Agrícolas conversou com o diretor geral da Embrapa Soja, José Renato Farias, a respeito dos problemas que a cultura de soja vem enfrentando no Brasil na questão da ferrugem asiática.
Essa doença, extremamente agressiva, cria um cenário preocupante, já que o fungo muda de maneira rápida, se adapta e passa a ser resistente. Uma epidemia, contudo, está à beira de ocorrer, já que muitas formulações têm perdido a resistência.
Farias avalia que a antecipação da semeadura, que inicia em setembro em algumas regiões e se estende até dezembro, pode ser um problema capaz de disseminar a doença, já que a extensão de tempo de plantio pode aumentar a multiplicação do fungo e a seleção dos organismos mais resistentes.
A Embrapa orienta que a janela não seja tão extensa também por conta da ponte verde, que fica prolongada com esse tipo de plantio.
No Sudeste do Paraná, entretanto, os produtores estão realizando dois plantios de soja, alegando que o panorama climático mais frio não está ajudando na produtividade. Farias defende, porém, que a sustentabilidade do negócio da soja deve ser respeitada.
A Embrapa Soja vem realizando esforços desde 2001/02 para identificar linhas mais avançadas de controle biológico, com uma parte genética trabalhando da mesma forma. “O produtor precisa ganhar dinheiro, mas o sistema produtivo dele tem que continuar viável”, aponta o diretor “Tem que acreditar na ciência e no que está sendo comprovado”.

Atualização feita nesta terça-feira (20) com 169 pontos de coleta e 24 pontos com presença de esporos (Palotina, Nova Santa Rosa, Terra Roxa, Marechal Candido Rondon, Mercedes, Santa Helena, Guaira, Quatro Pontes, Toledo (3), São José das Palmeiras, Entre Rios do Oeste, Ouro Verde do Oeste, Renascença, Mariópolis, Pato Branco (2), Vitorino, Ibiporã, Primeiro de Maio e Alvorada do Sul (3)).
3 focos regionais bem definidos (oeste, sudoeste e norte).

Inteligência artificial no manejo integrado de pragas
O valor das perdas anuais causadas por pragas e doenças na agricultura brasileira é de R$ 55 bilhões, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A Agrosmart, empresa de agricultura digital sediada em Campinas, no interior de São Paulo, pretende mudar esse cenário utilizando a tecnologia da Internet das Coisas (IoT). A empresa está desenvolvendo um aplicativo que, conectado a uma armadilha de pragas, ajudará o produtor a aplicar o defensivo agrícola no momento certo e na quantidade exata, para obter maior eficiência no combate às pragas com menor custo e impacto ao meio ambiente.
O projeto foi um dos oito selecionados, em dezembro de 2017, em chamada do Programa PIPE/PAPPE Subvenção, resultado de acordo entre a FAPESP e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para o financiamento de pesquisa inovativa em pequenas empresas.
Coordenado pelo engenheiro agrônomo Marcus Vinicius Sato, o projeto da Agrosmart baseia-se em técnicas do Manejo Integrado de Pragas (MIP). O MIP surgiu na década de 1960 para tornar mais eficiente o controle de pragas agrícolas integrando diferentes ferramentas de controle, como defensivos químicos, agentes biológicos (predadores e bactérias, por exemplo), armadilhas luminosas e feromônios sintéticos (substâncias químicas que, à semelhança das naturais, podem atrair ou repelir os insetos).
“Vamos realizar o manejo integrado de pragas contando com inteligência artificial para qualificar e quantificar os insetos”, diz Sato. Serão usados feromônios para atrair insetos a armadilhas dotadas de sensores, estrategicamente espalhadas pela plantação. Os sensores, conectados a sistemas eletrônicos embarcados, farão a coleta de dados, enviando-os para a internet, onde será feito o processamento das imagens, contagem e identificação dos insetos. Conforme a quantidade de insetos encontrados por metro quadrado, será recomendada, ou não, a aplicação de defensivos agrícolas. A análise desses dados chegará pronta ao agricultor, por meio de um smartphone ou tablet.
O pesquisador garante que a conexão com a internet será possível mesmo nas regiões mais distantes dos grandes centros – um dos principais desafios do projeto. “O acesso à internet em região de lavoura é muito difícil. Em certos locais o 3G não funciona nem no centro da cidade. Mas a Agrosmart transpôs essa barreira de conectividade: temos soluções customizadas para cada região. Onde não pega o 3G recorremos à tecnologia via satélite”, explicou ele.
Mestre em Ciências do Solo pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), Sato tem um bom diálogo com a equipe especializada em tecnologia da informação: antes de cursar Agronomia na Esalq, fez o curso Técnico em Mecatrônica no Colégio Técnico de Campinas (Cotuca), vinculado à Unicamp. “Essa formação está sendo útil: ajudou-me a ter uma noção básica do desenvolvimento do hardware”, afirma.
O engenheiro agrônomo, que atua na área de Pesquisa & Desenvolvimento da Agrosmart desde 2015, diz que a empresa já tinha planos de buscar apoio da FAPESP para um de seus projetos. “Escolhemos um produto para o qual ainda não existe um correspondente nacional.” Segundo ele, no exterior já existem armadilhas inteligentes que usam tecnologia de aprendizado de máquina para identificação de insetos. Porém, elas são pouco acessíveis ao agricultor. “Pretendemos desenvolver um produto que seja viável economicamente”, afirma Sato.
A Agrosmart já tem alguns protótipos em teste e o agrônomo afirma que é alto o grau de confiabilidade do sistema, sobretudo quando são usados feromônios já estabelecidos para o inseto-alvo. “O erro máximo que registramos até agora foi de 5%”, diz Sato. O pesquisador conta que serão feitos, também, testes com outros tipos de isca. “Parte do orçamento do projeto é para viagens. Vamos testar o sistema em propriedades de agricultores com os quais já temos relacionamento, em São Paulo, no sul de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.”
Ao longo dos próximos 18 meses, os pesquisadores da Agrosmart esperam ter os dados validados e o aplicativo pronto para comercialização.
Parceria com a Nasa e com a Embrapa
Fundada em 2014 por três jovens empreendedores – Mariana Vasconcelos, Thales Nicoleti e Raphael Pizzi –, a Agrosmart já tem experiência no campo da agricultura digital, oferecendo serviços de monitoramento de áreas agrícolas com sensores capazes de avaliar mais de 10 variáveis ambientais.
Associada à EsalqTec desde 2015, a empresa foi acelerada pela Baita, em Campinas. Em 2016, venceu o concurso de soluções hídricas Call to Innovation, organizado no Brasil pela Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap), e, no mesmo ano, foi convidada para um programa de transferência de tecnologia com a Nasa, agência espacial norte-americana, na área de imagem de satélites.
Em novembro de 2017, a Agrosmart estabeleceu uma parceria com a Embrapa, para automatizar o diagnóstico e monitoramento de doenças agrícolas. O projeto está sendo desenvolvido no âmbito do “sitIoT” (junção das palavras sítio e IoT, Internet das Coisas), um ambiente colaborativo criado pela Embrapa para fomentar a agricultura digital. A Agrosmart é a primeira startup a participar da iniciativa.
A empresa instalará sensores em pés de café do campo experimental da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna, interior de São Paulo, a fim de avaliar o efeito das mudanças dos níveis atmosféricos de CO2 sobre a cultura do café. O experimento é chamado de FACE (Free Air Co2 Enrichment). Pesquisadores da Embrapa já identificaram que o aumento dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera tem efeitos deletérios sobre a cafeicultura – aumentando, por exemplo, a intensidade da ferrugem, uma das principais doenças que acometem os pés de café. O objetivo da parceria é colocar no mercado uma tecnologia capaz de oferecer um modelo de previsão e controle de doenças agrícolas.

Programas estimulam a participação dos jovens no setor agropecuário
As ações voltadas para as novas gerações da agropecuária foram intensificadas pela Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), em 2017. Um exemplo é a Comissão Famasul Jovem, que estimula a participação da juventude nas instituições do setor, a formação de novas lideranças e a inserção profissional no segmento.
Quatro edições do “Encontro Jovens da Agropecuária” foram promovidas no último ano. Cerca de 1200 jovens participaram nas cidades de Campo Grande, Maracaju, Dourados e Três Lagoas.
No segundo semestre de 2017, foi realizado o projeto “Grupo Troca de Experiências” (GTE) Temático. Os encontros reuniram cerca de 100 pessoas.
A presidente do Famasul Jovem, Roberta Maia, explica que o trabalho tem que ser diário e persistente. “A cada ação que realizamos, notamos um envolvimento maior do público, tanto em participar diretamente das ações, como em contribuir com ideias e na organização dos eventos”, comenta.
O presidente do Sistema Famasul, Mauricio Saito, destaca que estimular uma maior participação da juventude no setor é fundamental para a instituição. “Temos trabalhando cada vez mais com a finalidade de abrir novos espaços para que os jovens atuem na representação rural. Essa é uma forma de renovar e oxigenar o setor para que o sistema acompanhe as mudanças sociais e tenha iniciativas atualizadas frente à sociedade”.
O trabalho da comissão já começa a dar frutos. Em Três Lagoas, foi criado o Sindicato Rural Jovem. Em Dourados, os jovens estão organizando cursos em parceria com o Senar/MS. Eles também estão se destacando em suas atividades acadêmicas, por meio de parcerias com o Sindicato Rural e o Sistema Famasul.
Inserção profissional
O Sistema Famasul, por meio do Senar/MS, também concentrou esforços em 2017 para auxiliar o jovem a entrar no mercado de trabalho. Uma das ferramentas utilizadas foi o programa Senar Jovem Rural. A iniciativa possibilitou que uma turma com 13 adolescentes do município de Brasilândia iniciasse, em maio deste ano, o curso de Administração Rural em nível de qualificação profissional básica.
O curso tem duração de um ano, distribuído em aulas teóricas, específicas e prática profissional no monitoramento administrativo dos sistemas de produção de agricultura, bovinocultura de corte e suinocultura.
Outra ação nesta área foi o programa Senar Jovem Aprendiz Rural (SEJA). Através de uma parceria com empresas do setor, promove a formação técnica profissional de jovens em ocupações relacionadas ao meio rural. O participante é inserido em uma programação de aprendizado especial, mantendo o ritmo de estudos e trabalho adequados a sua idade.
“Mato Grosso do Sul tem, conforme dados do IBGE, mais de 800 mil habitantes com menos de 20 anos, o que representa 34,2% da população do estado. Nos sentimos responsáveis por essa grande força de trabalho jovem prestes a adentrar no mercado e, por isso, lançamos a capacitação com a proposta de auxiliar a juventude a consolidar o seu processo de desenvolvimento profissional e alcançar uma boa ocupação no cenário econômico estadual nos próximos anos”, destaca o presidente do Sistema Famasul.

Perspectivas dos preços dos alimentos em 2018
De uma forma geral, o setor agropecuário tem mantido um padrão evolutivo do lado da oferta (volume) em torno de 4% ao ano – um número médio que vale tanto para lavouras quanto para pecuária -, com oscilações que podem ser expressivas por razões climáticas e ocorrências de pragas e doenças. O produtor agropecuário chega à safra 2017/18 razoavelmente capitalizado. A safra 2015/16 foi marcada por forte quebra de produção que foi mais do que compensada pelo aumento de preços; na safra 2016/17 ocorreu mais ou menos o inverso: o grande aumento de volume compensou a grande queda de preço havida. Na média, não houve perda de renda nos dois períodos, permanecendo ela num patamar bem posicionado historicamente.
Com isso, as projeções hoje disponíveis para o volume agregado da agropecuária em 2018 baseiam-se numa volta à normalidade da produtividade depois de uma oscilação de volume nos dois anos anteriores. É claro que isso implica algumas quedas importantes em relação à safra imediatamente anterior, como algo perto de 5% para grãos, incluindo soja, milho e arroz, todos nessa faixa. Alguma queda, mais moderada, é também esperada para cana e café por razões climáticas principalmente. Para milho e feijão de primeira safra são projetadas reduções mais importantes, podendo ocorrer desajustes sazonais, enquanto as demais safras do mesmo ano não se disponibilizem. No caso do milho, acredita-se que a disponibilidade de estoques de passagem ajudará a superar os desajustes, que poderiam ter reflexos sobre os produtos de origem animal, como aves, ovos e suínos. Para o boi, preocupam os efeitos sobre a produção de algum desinvestimento de parte dos pecuaristas desestimulados diante da crise havida no corrente ano. Para o leite também a falta de investimento pode influenciar a produção.
Do lado da demanda, a economia, ou seja, a renda e o emprego no País, deverá prosseguir num crescimento algo mais rápido, o que aparecerá na forma de um consumo relativamente maior, dando sustentação para um possível crescimento mais expressivo, mas ainda moderado, também da agroindústria e seus produtos. Isso poderá criar espaço para uma recuperação de margens nos produtos para mercado interno.
No front externo, a atenção deve voltar-se para o ritmo das exportações e sua distribuição ao longo do ano, que acabam por afetar o comportamento sazonal dos preços mais relevantes no mercado interno. O crescimento econômico mundial e, logo, da demanda, segue moderado, mas firme; porém, a oferta tanto do Brasil como de seus concorrentes está sujeita a eventos climáticos extremos com maior frequência. Até agora, lá fora os preços em dólares para soja e derivados apontam para estabilidade e para o milho, uma leva alta, em boa parte de 2018. O que predomina é a expectativa de preços internacionais de produtos agrícolas (grãos, oleaginosas, açúcar e café) relativamente estáveis a menos que eventos climáticos não previsíveis ocorram. Resta, portanto, observar de perto o comportamento da taxa de câmbio, algo relativamente difícil de projetar para o ano eleitoral que se avizinha. Uma desvalorização mais forte poderá impactar o custo de vida pelo aumento de preços dos produtos exportados (e dos insumos agropecuários importados) e seus derivados.
Em síntese, o cenário para 2018 é o seguinte. Do lado da oferta de alimentos, a expectativa, por enquanto é uma volta à normalidade. Mesmo assim, pode-se esperar alguma alta moderada nos preços em relação aos baixos níveis de 2017 em razão de uma demanda interna pouco mais firme. O ritmo das exportações irá graduar a evolução dos preços, condicionada ao comportamento do câmbio.