O agro brasileiro gerou em setembro deste ano uma receita de US$ 10,1 bilhões, alta de 21% em relação ao mesmo mês de 2020, segundo análise da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) com base nos dados do Ministério da Economia.
O superávit mensal (quando as exportações superam as importações) da balança comercial totalizou US$ 8,8 bilhões. No acumulado de janeiro a setembro de 2021, as vendas externas do setor já somam US$ 93,6 bilhões, crescimento de 20,6% freta a igual período do ano passado.
O principal produto da pauta exportadora do agronegócio brasileiro em setembro foi a soja em grãos, com participação de 24,3% no total dos embarques e valor de US$ 2,5 bilhões, aumento de 57,6% em relação ao mesmo período de 2020.
A carne bovina in natura vem em seguida, com receita de US$ 1,1 bilhão em setembro/2021, elevação de 85,7% frente a setembro de 2020. Açúcar de cana em bruto, carne de frango in natura e farelo de soja completam o ranking dos cinco produtos mais exportados em setembro.
O aumento mais significativo nas exportações em setembro deste ano na comparação com setembro de 2020 foi para o óleo de soja em bruto (+1.013,3%). Destaque também para a carne bovina in natura (+85,7%), soja em grãos (57,6%) e carne de frango in natura (54,1%).
Em relação aos mercados, 68,2% das exportações brasileiras do agronegócio foram destinadas a dez países em setembro. O principal destino foi a China, com participação de 32,4% do total dos embarques.
A União Europeia, segundo principal comprador, respondeu por 15%, seguida por Estados Unidos (7%). Completam a lista dos principais destinos: Japão (2,9%); Coreia do Sul (2,0%); Emirados Árabes Unidos (1,9%); Irã (1,9%); Vietnã (1,8%); Tailândia (1,7%) e Hong Kong (1,6%).
As lavouras respondem por 67,7% do VBP, e a pecuária por 32,3%. As maiores contribuições vieram de soja, milho, cana-de- açúcar, carne bovina e carne de frango
O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de 2021, estimado com base nas informações de setembro, atingiu R$ 1,103 trilhão. O número representa um crescimento de 10% em relação ao valor de 2020, que foi de R$ 1,0 trilhão.
O valor das lavouras cresceu 12%, e a pecuária, 6,1%. Decompondo-se o VBP, verifica-se que as lavouras respondem por 67,7%, e a pecuária por 32,3%. As maiores contribuições para obter esse resultado vieram de soja, milho, cana-de- açúcar, carne bovina e carne de frango. Juntos, sua contribuição foi de 72,4%.
Os recordes de valor, obtidos em uma série de 32 anos, foram observados em algodão (R$ 29,8 bilhões), milho (R$ 121,6 bilhões), soja (R$ 360,3 bilhões) e trigo (R$ 12,8 bilhões). Na pecuária, os recordes foram obtidos em carne bovina e carne de frango.
Contribuições negativas ao VBP foram observadas em amendoim, banana, batata inglesa, cacau, café, feijão, laranja, tomate, mandioca e uva. Esse comportamento teve impacto expressivo no resultado final do VBP.
Os resultados do VBP deste ano carregam os efeitos de impactos climáticos ocorridos em 2020 e 2021.Falta de chuvas, secas e geadas afetaram produtos relevantes como milho de segunda safra, café, feijão e outros. Entretanto, as boas condições do mercado internacional, e os preços internos favoráveis, têm sido os principais fatores de crescimento do agronegócio em 2021. Quanto aos preços, podem-se destacar fortes elevações neste ano em algodão em caroço (27,4%), café arábica (22,2 %), cana -de-açúcar (10,0 %), milho (27,1%), soja (16,4%) e trigo (5,0%).
Os resultados regionais mostram a liderança do Centro-Oeste no faturamento neste ano, R$ 362, 87 bilhões, Sul R$ 309,2 bilhões, Sudeste R$ 250,9 bilhões, Nordeste R$ 98,3 bilhões e Norte 70,0 bilhões.
O que é VBP
O VBP mostra a evolução do desempenho das lavouras e da pecuária ao longo do ano e corresponde ao faturamento bruto dentro do estabelecimento. Calculado com base na produção da safra agrícola e da pecuária e nos preços recebidos pelos produtores nas principais praças do país, dos 26 maiores produtos agropecuários do Brasil.
O valor real da produção, descontada a inflação, é obtido pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getúlio Vargas. A periodicidade é mensal com atualização e divulgação até o dia 15 de cada mês.
As exportações de fertilizantes da China podem ser interrompidas a pedido da comissão reguladora do país, ou NDRC (National Development and Reform Comission) na sigla em inglês, com o objetivo de proteger o mercado interno. O mercado especula tais medidas desde junho, as quais poderiam impactar durante o fornecimento de fosfatados e nitrogenados.
Todavia, as mudanças ainda não foram oficializadas pelo governo chinês ou aplicadas as condições que pudessem ser impostas pela NDRC. “As últimas notícias confirmaram que o departamento solicitou a algumas empresas da região de Yangtze e Hubei a suspensão das exportações até 30 de junho de 2022”, explica o analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, Jeferson Souza.
E embora ainda não tenha sido completamente oficializada, Souza alerta para os impactos que podem ser sentidos nos próximos dias. “As medidas podem impactar mais severamente nos preços no decorrer das semanas. Mas é importante reforçarmos que ainda não foram confirmadas pelo departamento. No entanto, já se pode ver mais pressão nos preços do fertilizante para o mundo inteiro.
Em sua conta no Twitter, o diretor de fertilizantes da INTL FCStone, Josh Linville, informou que “o governo chinês efetivamente baniu as exportações de fosfato até junho de 2022”. E explica que a nação asiática responde por cerca de 30% de todo o comércio mundial do produto. “Isso é ruim para os preços globais do fosafato e pior ainda para aqueles que dependem desse fornecedor. Temos que monitorar ações similares na ureia”.
Linville ainda afirma que os preços da ureia no Golfo Pérsico saltaram US$ 15,00 por tonelada na manhã desta terça-feira (28) em relação ao fechamento de ontem.
As mudanças que podem vir do gigante asiático somente se somam aos problemas e preocupações que se acumulam no mercado de fertilizantes e, inclusive, intensificam as preocupações dos produtores rurais no mundo total não só para novas altas nos custos de produção, como também para disrupções no abastecimento de uma série de produtos para a safra 2022/23.
“Hoje estou indo em todas as nossas propriedades para orientar que se use o mínimo possível de glifosato. Não temos perspectivas 2022, 2023 de como fica o mercado. Os grandes fornecedores estão com problemas, como a China. Com a gestão de diminuição de emissão de gases de efeito estufa, sustentabilidade, isso tem causado um enorme transtorno na gestão de produção”, explica Inácio Modesto Filho, diretor de produção do Grupo Bom Futuro.
Com isso, “temos que fazer o dever de casa, usar o mínimo possível, fazer uma gestão muito bem feita porque diversos produtos para a nova safra podem não estar nas nossas mão disponíveis”, complementa. “A gestão tem que prever um ano do qual não temos segurança”.
“Em 2021, o mercado de fertilizantes tem sido marcado por incerteza. As notícias novas vindas da China trazem riscos consideráveis para os produtores. Em Paranaguá, os preços da ureia têm se mantido estáveis perto de US$ 750/tonelada. No entanto, para a safrinha 2022, as relações de troca continuam subindo fortemente”, complementa Jeferson Souza.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou nesta sexta-feira (24), no Diário Oficial da União, a Portaria nº 298 que estabelece regras para operação de aeronaves remotamente pilotadas (ARP), mais conhecidas como drones, destinadas à aplicação de agrotóxicos e afins, adjuvantes, fertilizantes, inoculantes, corretivos e sementes.
Com drones ocupando cada vez mais espaço na agricultura e na pecuária, a regulamentação visa simplificar os procedimentos e adequar as exigências legais as especificidades desta tecnologia, já que, em diversos aspectos, se diferencia das aeronaves tripuladas.
Além do registro no Mapa, que será feito de forma automatizada via Sipeagro, os operadores necessitarão possuir profissional qualificado com curso específico, designado como aplicador aeroagrícola remoto, e, em determinados casos, necessitarão também de responsável técnico, engenheiro agrônomo ou engenheiro florestal, para coordenar as atividades. Já com relação as aeronaves, estas deverão estar devidamente regularizadas junto a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
“Esperamos que a normativa traga a segurança jurídica necessária para os operadores, ao mesmo tempo que garanta a harmonização e a segurança das operações e uso responsável da tecnologia. A norma também servirá como um ‘norte’ para a coordenação e a fiscalização das atividades, tanto por parte do Mapa, como por parte dos órgãos estaduais, responsáveis pela fiscalização do uso de agrotóxicos”, destaca a chefe da Divisão de Aviação Agrícola, Uéllen Lisoski.
A segurança operacional deve envolver todo o processo de aplicação, desde o preparo da calda, o monitoramento das condições ambientais durante a aplicação e o registro e arquivamento dos dados de cada operação, de forma que possam ser auditados, sempre que necessário.
As regras visam a segurança da equipe de trabalho e de terceiros, e englobam ainda distâncias mínimas de zonas sensíveis, a serem respeitadas durante as aplicações, de modo a se evitar problemas ambientais e visando a saúde da população.
O diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Lucchi, foi um dos palestrantes do painel “A evolução da agricultura sustentável no Brasil” realizado durante o 10º Fórum Lide de Agronegócios, ao lado do ex-ministro da Agricultura e indicado ao Prêmio Nobel da Paz 2021, Alysson Paolinelli, do embaixador da FAO para o Cooperativismo, Roberto Rodrigues, e do coordenador da Rede Paolinelli, Ivan Wedekin.
“O setor se estruturou por meio da ciência, do crédito rural e da assistência técnica, além do empreendedorismo do produtor rural que desenvolveu regiões e criou a base da competitividade do agro Brasileiro”, afirmou Lucchi.
Ele destacou que, graças à tecnologia, o setor desenvolveu sistemas produtivos sustentáveis, capazes de reduzir as emissões de gases do efeito estudo.
“Precisamos deixar claro o que queremos na COP, que é um mercado de carbono mais aberto e financiamento não só para comando e controle, mas para a ciência com foco na mitigação porque acreditamos que a ciência tem a resposta para isso”.
Bruno Lucchi disse ainda que o setor tem vários desafios para vencer no campo da sustentabilidade como consolidar o Código Florestal, combater o desmatamento ilegal, melhorar a imagem do setor, ter projetos de lei que modernizam a regularização fundiária, além de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e redução da insegurança jurídica.
Ele acrescentou ainda que o ‘pipeline de investimentos’ no setor é verde. “No crédito, cresce o financiamento via títulos verdes e no campo tecnológico, há ampliação do mercado de bioinsumos e ganhos de produtividade devido à conectividade e à irrigação”, disse. “Não escondemos nossos problemas, porém, acreditamos que mais que exaltá-los, precisamos ter ações concretas para saná-los.”
A demanda tanto do mercado interno como do externo é um importante fator a ser considerado para as análises de plantio de soja para a safra 2021/2022. Com a retomada da economia mundial, após a redução registrada durante o enfrentamento à pandemia do coronavírus, o consumo da oleaginosa tende a registrar novo crescimento. Além disso, produção de biodiesel e alimentação animal no país mantêm a demanda pelo grão aquecida. Estes e outros aspectos serão abordados no webinar Perspectivas para Agropecuária Safra 2021/22 – Edição Grãos, organizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O webinar será realizado no dia 26 de agosto, a partir das 9h. Durante o encontro, serão apresentadas as perspectivas de área, produção, produtividade, exportações, importações, consumo e preços da safra 2021/22 para as culturas do algodão, arroz, feijão, milho e soja, que correspondem a mais de 90% da produção brasileira de grãos estimada na safra 2020/21. As análises apresentadas pela Conab integram o estudo que será publicado no portal da Companhia.
Produtos – Para o milho, a expectativa da Companhia é de que haja uma recuperação na oferta do grão na próxima safra. “O desenvolvimento do cereal no período de 2020/21 teve a produtividade prejudicada, o que ocasionou uma redução de aproximadamente 10% na produção. Essa queda é influenciada pelas condições climáticas adversas registradas durante o cultivo, uma vez que o grão foi plantado fora da janela ideal na segunda safra, consequência do atraso no cultivo da soja”, lembra o gerente de produtos agrícolas da Conab, Fernando Motta.
Arroz e feijão apresentam panoramas distintos. Para o primeiro produto se espera um leve incremento na área plantada, impulsionado pelo patamar atual de preços. No entanto, a elevação nos custos de produção poderá impactar nesse movimento de recuperação. Já a leguminosa apresenta um cenário mais indefinido. Essa incerteza se deve ao fato de o feijão ser produzido no país em três períodos diferentes, o que faz com que a oferta do grão se ajuste dentro do ano safra.
No caso do algodão, os preços no mercado externo estão elevados, o que contribui para uma tendência de aumento do cultivo da fibra. “Porém, a boa rentabilidade do milho pode influenciar nessa escolha do produtor”, ressalta o gerente de Alimentos Básicos e Culturas Perenes da Companhia, Bruno Nogueira. Até julho deste ano, o Brasil registrou exportações de 1,18 milhão de toneladas da pluma, alta de 29,8% se comparado com o mesmo período de 2020.
Por recomendação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Conselho Monetário Nacional (CMN) reservou R$ 1.318.582.400,00 do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para medidas de apoio aos produtores que venham a ser indicadas após avaliação dos efeitos econômicos decorrentes das geadas que ocorreram em julho.
O valor corresponde a 20% do valor das linhas de Custeio, Comercialização, Capital de Giro e Financiamento para Aquisição de Café (FAC), e 100% do valor da linha de Recuperação de Cafezais Danificados.
Em abril de 2021, o CMN aprovou a distribuição de recursos, para o ano agrícola 2021/2022, para as linhas de financiamento do Funcafé. Durante o mês de julho de 2021, ocorreram geadas nas principais regiões produtoras de café de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, e levantamentos preliminares indicam que foram atingidos cerca de 200 mil hectares de cafezais.
A reserva já tinha sido aprovada pelo Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC) para atender os cafeicultores prejudicados pelas geadas nas últimas semanas. Os recursos fazem parte dos R$ 5,9 bilhões aprovados para aplicação nas linhas de financiamento do Funcafé na safra 2021/2022. Com a reserva, os agentes financeiros terão R$ 4,6 bilhões para as linhas de crédito de custeio, comercialização, capital de giro e aquisição de café. Os contratos estão no final de processamento.
Vinte dias após a geada que atingiu o parque cafeeiro, produtores e especialistas agora aguardam para entender os impactos nas próximas produções de café do Brasil.
Em debate no Notícias Agrícolas, José Alves Donizeti, Roberto Thomaziello e Roberto Santinato falam sobre futuro da próxima safra de café, que já estava de certa forma comprometida pela seca e agora os problemas aumentaram com a passagem do frio.
Os três especialistas são unânimes e concordam que os prejuízos da safra 22 de café estão consolidados. De acordo com Roberto Santinato, pelo menos 17% da área foi atingida e a quebra para na produção pode chegar a 12 milhões de sacas em 2022 e em 7 milhões de sacas na safra de 2023. “Antes de três anos a gente não organiza outra vez essa fatia da nossa cultura e do nosso mercado”, comenta Santinato.
Passado o susto de amanhecer com as lavouras congeladas, os especialistas destacam que o produtor precisa ter cautela nesse momento, focar nos manejos nutricional e fitossanitário e tipo de poda. O setor aguarda agora o retorno das chuvas em setembro para entender o real impacto do frio nas lavouras.
Aleksander Horta e Virgínia Alves – Jornalistas do Notícias Agrícolas
O material elaborado pelos pesquisadores Vinícius Andrade (Consórcio de Pesquisa Café/EPAMIG), Gladyston Carvalho (EPAMIG), César Botelho (EPAMIG) e André Dominguetti (Embrapa Café) explica porque as geadas ocorrem e traz recomendações para o levantamento dos danos e sobre as ações necessárias no momento e a médio e longo prazo.
Geada atingiu diversos municípios mineiros na última semana – foto: William Siqueira
Introdução
Estamos muito tristes por todos os produtores afetados pela geada. Sabemos o trabalho, dedicação e investimento dispendidos às lavouras para serem perdidos em uma noite. Entretanto, temos uma indústria a “céu aberto” e eventos climáticos ocorrem com determinada frequência e com a geada não é diferente. Nós como agricultores e técnicos devemos minimizar as chances de perdas por meio de técnicas de manejo, gerenciamento técnico e financeiro do negócio. Cada caso deve ser analisado com critério e estar fundamentando em conhecimento científico e empírico, adaptados a cada situação.
Nosso objetivo nesse documento é simular uma conversa com o produtor, pensando como ele, neste momento tão difícil. Basicamente, as perguntas poderiam ser:
O que é a geada e por que ela ocorre?
O que devo fazer?
Como manejar a lavoura após o dano?
Como proceder no médio e longo prazo?
Qual o impacto na cafeicultura do Brasil?
O que é a geada e por que ela ocorre?
A geada é um fenômeno natural que pode ocorrer em frequência variada de acordo com a latitude, altitude e orografia do ambiente de cultivo. As causas, são geralmente, massas de ar polar vindas dos Andes ou do Oceano Atlântico. A ocorrência se dá quando a temperatura é menor que 2ºC no abrigo e -2 a -3ºC na relva. Para o cafeeiro a temperatura letal é menor que -2ºC.
A frequência de ocorrência de geadas é feita analisando-se sua severidade e o número de vezes que o fenômeno foi identificado em uma série histórica. A classificação de severidade é realizada pela temperatura mínima medida nas estações climatológicas. Desde 1890 até hoje, com resultados de estudos feitos nos estados do Paraná e São Paulo, as geadas podem ser classificadas e previstas como:
Severíssima – a cada 20-30 anos (última em 1994)
Severa – a cada 6-10 anos (danos parciais ou totais)
Moderada – a cada 3 anos (áreas mais baixas)
Aparentemente, por meio de dados históricos, a partir de 1970 elas se tornaram mais recorrentes. Publicações indicam que, apesar do aquecimento global previsto na média da temperatura, eventos extremos de clima estão ficando mais frequentes. O ciclo do carbono, na nova era do Antropoceno, pode estar influenciando esses fenômenos por haver indícios de alteração no ciclo de energia do planeta.
O que devo fazer?
Por enquanto nenhuma intervenção deve ser feita na lavoura, principalmente por dois motivos. 1) Ainda vem uma nova onda de frio e o período histórico de ocorrência de geada ainda não terminou, apesar de no mês de agosto a ocorrência ser menor. Podar agora deixa as plantas mais expostas ao esfriamento. 2) Ainda não se sabe a dimensão do dano nas plantas. O ideal é esperar por aproximadamente 30 a 60 dias, após o frio passar e se ter maior certeza de como e onde atuar. Pode-se até esperar as primeiras chuvas e até mesmo a florada para se ter mais certeza do prejuízo na safra de 2022.
O cafeicultor pode aguardar as primeiras chuvas e até mesmo a florada para ter mais certeza de como e onde atuar – Foto Erasmo Pereira
No momento o produtor deve quantificar seus prejuízos para fazer suas contas focando no fluxo de caixa e orçamento para o próximo ano. O levantamento deve conter a área afetada na propriedade e a classificação da intensidade dos danos nas lavouras, pois os danos são variáveis pelos motivos já mencionados. Com o levantamento em mãos o produtor deve readequar seu planejamento agrícola de acordo com o dano provocado pela geada e gastar o mínimo possível nas áreas mais afetadas.
Mesmo não sabendo como irá proceder no momento, com relação à intervenção nas lavouras, as adubações e controles fitossanitários devem ser reduzidos nas áreas com maior redução de safra. Normalmente, será um manejo de lavoura com poda tipo decote ou mais drástica, por recepa ou esqueletamento. O pensamento deve ser, já que vou colher menos, irei gastar menos, desde que a decisão seja tecnicamente analisada para não comprometer a produtividade da lavoura em sua vida útil.
COMO MANEJAR A LAVOURA APÓS O DANO
A decisão é tomada em função da magnitude da morte dos tecidos nos cafeeiros. Quanto maior a quantidade de tecidos mortos mais drástica vai ser a intervenção, que pode chegar até mesmo na substituição das lavouras. Mediante a necessidade de podas a regra é, quanto menos cortar melhor. Com relação à renovação da lavoura, deve-se considerar a mortalidade de plantas, que gerarão o estande produtivo quando a lavoura se recuperar.
Nas lavouras em formação em que o dano foi severo, causando a morte das plantas por queima das folhagens e ramos ou pela canela de geada, deve-se renovar a lavoura. Caso o dano seja superficial, não afetando o ramo ortotrópico (tronco principal) não é preciso fazer nada. A planta vai brotar e continuar seu desenvolvimento, mesmo que em atraso. Em plantas de 1,5 anos pode ser necessário o decote para retirar a parte queimada. Se o dano no caule foi até mais embaixo, deve-se esperar as novas brotações iniciarem seu estabelecimento, desbrotar e eliminar a parte velha queimada na geada, restaurando uma nova planta.
Com relação às lavouras produtivas deve-se analisar a necessidade de poda, lembrando que quanto menos drástica a poda melhor. Podemos citar algumas situações:
Dano superficial nas bordas de toda a planta – Somente as folhas da extremidade dos ramos foi afetada, permanecendo o interior da planta verde. Ação: Não fazer nada. Provavelmente a parte não afetada produzirá café em 2022.
Dano severo do terço superior do cafeeiro – A geada queimou folhas e ramos apenas da parte superior da planta, “geada de capote”. Ação: Poda por decote, eliminando apenas a parte morta.
Dano severo em grande parte dos ramos plagiotrópicos – Ação: Poda por esqueletamento, cortando no início da porção dos ramos que está viva para eliminar apenas as partes mortas.
Dano severo nos ramos plagiotrópicos e ortotrópico – Planta morta de baixo para cima, tanto nos ramos produtivos como no tronco principal. Ação: Recepa, cortando pouco abaixo do limite de tecidos mortos da planta. Caso haja ramos plagiotrópicos não queimados na parte debaixo da planta eles não precisam ser removidos, fazendo apenas uma retirada da parte queimada.
Morte de plantas – Ação: verificar a proporção de plantas mortas e decidir ou não pela renovação do cafezal. Em plantas adultas esse fenômeno é mais raro de acontecer.
Como proceder no médio e longo prazo?
Conforme mencionamos anteriormente, as geadas são um fenômeno frequente e por isso, suas ocorrências, além da tristeza e prejuízos, devem induzir à evolução no processo produtivo. O produtor deve-se perguntar e consultar os técnicos sobre o grau de risco que sua lavoura tem de ser afetada pela geada e pelo frio, que apesar de não queimar as plantas, diminui a produtividade de algumas lavouras. Após essa forte geada de julho de 2021, o produtor tem basicamente duas opções. A primeira é decidir por não cultivar mais café no local afetado. Nos últimos dez ou quinze anos o produtor, em geral, “perdeu o medo” da geada e plantou lavouras em locais de risco. Plantios foram realizados abaixo da linha da geada, que foi estudada e respeitada no passado. Dessa forma a geada nos reforça a necessidade de uma criteriosa escolha da área para o plantio de lavouras de café.
Arborização é alternativa para reduzir impactos do frio e da geada – Foto Erasmo Pereira
A segunda alternativa é que nas áreas mais sujeitas à geada e a temperaturas menores deve-se pensar na arborização das lavouras de forma sistemática por meio do plantio de linhas de cafeeiros intercalados com linhas de árvores. Com a colheita mecanizada, a arborização distribuída por toda a lavoura é dificultada, mas nada impede que em distâncias determinadas conforme o local de plantio e orografia da área, se plante linhas de árvores. Essas árvores ajudarão a proteger as lavouras das geadas por auxiliarem na manutenção da temperatura mais alta em noites de frio, servirão de quebra vento, amenizarão extremos de temperatura alta e insolação, contribuirão para a diversificação biológica, ciclagem de nutrientes, sequestro de carbono, além de poder gerar lucro extra quando manejadas para esse fim pelo plantio de espécies específicas. Além disso, promovem o aumento de produtividade em áreas mais frias, mesmo sem a ocorrência de geada. No Paraná, o uso de feijão guandu ou de tremoço nas entrelinhas já foi usado com sucesso, em lavouras novas plantadas em locais de risco.
Outras formas de se diminuir as chances de ocorrência de geada incluem a nutrição adequada da planta. Planta com maiores concentrações de carboidratos e proteínas tendem a suportar melhor o frio. Em último caso, em caráter de emergência, a nebulização se mostrou efetiva na amenização dos efeitos da geada. Em áreas irrigadas os danos podem ser evitados por meio do molhamento antes e no dia do resfriamento. A promoção de vento dentro da lavoura é usada em parreirais na Europa, por exemplo.
Qual o impacto na cafeicultura do brasil?
Ainda é cedo para estimar-se a perda de produção para a safra de 2022 com grau de confiança aceitável. A última safra de bienalidade positiva e com clima favorável nas principais regiões produtoras de Arábica foi em 2020, com produção total de 63 milhões de sacas, sendo 48,7 milhões de Arábica. Em um cenário otimista, antes das geadas de julho de 2021, havia a expectativa de que a safra de 2022 fosse 10% superior à de 2020 (a safra 2020 foi 2,3% acima que a de 2018), teríamos uma produção de 68 milhões de sacas totais e 54 milhões de café Arábica.
Considerando-se que as áreas atingidas pelas geadas foram as demonstradas na tabela 1 e que nessas regiões a perda de produção ocorreu cenários de 10%, 20% e 30% de redução, a produção de café Arábica pode variar de 50 a 43 milhões de sacos de 60 Kg, com reduções de quatro a onze milhões de sacas. É preponderante lembrar que estimativas precisas da área afetada e da magnitude do dano nas lavouras serão realizadas pelos técnicos de instituições públicas, cooperativas e empresas privadas, que por meio de uma criteriosa análise in loco poderão aumentar a chance de acerto. O sensoriamento remoto pode ajudar no fornecimento de informações precisas e com melhor custo-benefício que visitas a campo, além de poder ter uma abrangência geral do estrago nas lavouras de café.
*Estimativa Conab – Acompanhamento da safra brasileira. V.5- Safra 2020- N.6 – Quarto levantamento/ Dezembro de 2020
Independentemente da quantidade de café perdido para 2022, tem-se que ter em mente que a recuperação da capacidade produtiva brasileira nas regiões afetadas pela geada terá início somente a partir de 2024 e deve se estabilizar em 2025 ou 2026. Isso dependerá da quantidade de lavouras em formação que precisarão ser substituídas e da taxa de renovação, uma vez que as mudas disponíveis para esse ano já possuem destino e muitas delas foram afetadas irrecuperavelmente pela geada.
Portanto, o momento é de “curar as feridas da tristeza”, se acalmar, mensurar o dano, o fluxo de caixa (contas a pagar) e planejar-se para as próximas safras, sempre agindo nas análises de curto prazo sem perder o futuro de vista. Algumas lições podem ser enfatizadas para nos forçar a errar menos no futuro, tais como: 1) trabalhar com capital próprio o máximo possível; 2) a geada é fenômeno recorrente e natural na cafeicultura; 3) escolher as áreas de plantio de forma criteriosa; 4) arborizar áreas mais frias da propriedade e com risco de geadas; 5) Estabelecer um porcentual de cada safra para fazer trocas de produtos e outras operações financeiras, deixando a maior parte do café a ser produzido sem comprometimento. As crises nos fortalecem, já diz o ditado popular, “o que não mata engorda”.
Força produtores, não é a primeira crise que passamos na cafeicultura e não vai ser a última. A história mostra que a cafeicultura brasileira “amadureceu” com as crises biológicas, financeiras e sociopolíticas, transformando-se em referência na exportação de cafés, conhecimentos e produtos. Acreditamos na resiliência, inteligência e dedicação dos produtores em superarem-se para vencer esse desafio. A EPAMIG-Embrapa Café estão à disposição dos produtores e da sociedade como um todo.
Vinícius T. Andrade, Gladyston Rodrigues Carvalho, César Elias Botelho, André D. Ferreira
As lavouras representam R$ 753,2 bilhões e a pecuária, R$ 346,2 bilhões
A estimativa do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de 2021 é de R$ 1,099 trilhão, 10,5% acima do valor de 2020, que foi de R$ 995 bilhões. As lavouras representam R$ 753,2 bilhões e a pecuária, R$ 346,2 bilhões.
O faturamento das lavouras, em valores reais, cresceu 13,8%, e a pecuária, 3,8%, ambos em relação ao ano passado. Os produtos que mais se destacaram foram arroz, com aumento do VBP de 3,8%, cana-de-açúcar 2,3%, milho 15,7%, soja 30,2% e trigo 34,6%. Estes cinco produtos representam 55,4% do VBP total.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o plantio tardio do milho de segunda safra e o clima adverso em algumas regiões como geadas, afetaram a produção e a produtividade, que tiveram quedas de 10,8%, e 17,5% respectivamente. Apesar desses eventos, o milho tem tido fortes aumentos de preços, que resultam em acréscimos no valor da produção.
Na pecuária, os melhores resultados estão sendo observados em carne bovina, que teve acréscimo de 7,5 % no VBP, e em carne de frango, acréscimo de 6,1%. Outros componentes da pecuária como suínos e leite, estão com pior desempenho.
Uma relação de produtos apresenta redução de valor da produção em relação a 2020. São estes: algodão, amendoim, banana, batata-inglesa, cacau, café, feijão, laranja, mandioca, tomate e uva. Entretanto, as reduções não são elevadas. Isso tem ocorrido principalmente devido às quedas de quantidades produzidas e de preço.
Recordes de VBP podem ser observados em arroz, soja, milho e trigo, pois obtiveram valores não observados numa série desde 1989. Chama atenção o trigo, que além do recorde de valor neste ano, a produção estimada também não havia ainda sido observada. Neste ano, a previsão é de uma safra de 8,48 milhões de toneladas. Até este ano, o maior valor foi observado em 2015-2016 quando a safra foi de 6,73 milhões de toneladas.
O agronegócio continua obtendo bons resultados das exportações. As exportações totais do agronegócio nos cinco primeiros meses de 2021, resultaram em U$ 61,49 bilhões. As exportações de carne resultaram em receitas de US$ 9,0 bilhões, e de soja grão, U$ 24,81 bilhões. O agronegócio representa neste ano 46,2% das exportações totais do país. Esses resultados contribuem adicionalmente para o crescimento do VBP.
Os dados regionais mostram que neste ano quase todos os estados presentam maior nível de faturamento que no ano passado. Isso vem ocorrendo devido aos resultados favoráveis de produtos como, arroz, milho, soja, trigo, cana de açúcar, carne bovina, carne de frango e outros. Um ranking dos estados indica que os cinco primeiros em termos de VBP são Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Esses têm sua economia baseada em forte ênfase em milho e soja, e também na produção pecuária.
VBP
O VBP mostra a evolução do desempenho das lavouras e da pecuária ao longo do ano e corresponde ao faturamento bruto dentro do estabelecimento. Calculado com base na produção da safra agrícola e da pecuária e nos preços recebidos pelos produtores nas principais praças do país, dos 26 maiores produtos agropecuários do Brasil.
O valor real da produção, descontada a inflação, é obtido pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getúlio Vargas. A periodicidade é mensal com atualização e divulgação até o dia 15 de cada mês.
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