No próximo dia 21 de dezembro acontecerá, às 12h59 (horário de Brasília), o Solstício de Verão do Hemisfério Sul, dando início à estação do Verão que deverá estender-se por 88 dias 23 horas e 34 minutos.
O Verão
O verão, astronomicamente falando, tem início com o solstício, que é o momento em que o a Terra alcança a inclinação máxima em relação ao sol sobre o Trópico de Capricórnio no hemisfério sul. Nesse dia os raios solares incidem perpendicularmente na latitude de 23 graus e 27 minutos. No Brasil ocorre o dia mais longo e a noite mais curta do ano, o que é mais visivelmente percebido quanto mais próximo se está do extremo sul do país.
O verão, meteorologicamente falando, pode ser considerado iniciado no dia primeiro de dezembro e com término previsto para o último dia de fevereiro. De modo semelhante as demais estações começam, do ponto de vista meteorológico, no primeiro dia dos meses em que ocorrem os equinócios e solstícios. Devido ao calor, que é característica mais marcante dessa estação, ocorre maior evaporação a partir da superfície terrestre e, portanto, maiores ocorrências de chuvas em forma de pancadas, que são aquelas chuvas rápidas com grande volume de água e quase sempre acompanhadas de muito vento, raios e trovões.
O fenômeno ENOS
As anomalias dos ventos convergentes de leste sobre o Pacífico equatorial-central devem permanecer mais fortes que o normal durante o verão. Esse fato, em associação com as atuais temperaturas da superfície do oceano Pacífico, mais elevadas na porção Oeste e mais frias na porção Leste, devem assegurar a presença do La Niña até o final do verão sendo provável que, no final do outono, o atual La Niña se dissipe.
O final da primavera
Nos últimos 30 dias na região Sul do Brasil as chuvas ficaram abaixo do esperado para o período, tendo o volume acumulado variado entre 10 e 50mm aproximadamente. Em São Paulo o volume acumulado de chuvas chegou até 100 mm em algumas localidades. Já nas mesorregiões Central de Minas e Metropolitana de Belo Horizonte o volume de chuvas chegou alcançar 350 mm. Apesar de todo o volume ocorrido no último mês alguma regiões ainda se encontam com solos com volume de água abaixo do desejado (Figura 1).
No Sul/Sudoeste de Minas a umidade do solo atualmente varia desde 20%, na região de Pouso Alegre, até 50% em Passos. Na Zona da Mata varia desde valores abaixo de 10% em Muriaé, até 70% em Cataguases; e desde 70% em Coromandel, até 10 em Comendador Gomes no Triângulo Mineiro.
As chuvas e as temperaturas nos próximos três meses
Em janeiro há probabilidade de que o volume de chuvas ocorra acima da média nas mesorregiões do Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha e na porção mais a oeste do Triângulo Mineiro.
Em fevereiro as chuvas poderão ocorrer dentro da normalidade ou pouco abaixo da média do período na mesorregião do Noroeste, no Norte de Minas e Rio Doce, nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, e na porção mais ao norte da Zona da Mata mineira. No Sul de Minas e no Campo das Vertentes há probabilidade de que as chuvas ocorram acima da média, assim como também em todo o estado de São Paulo.
No mês de março o volume de chuvas poderá ocorrer abaixo da média nas mesorregiões do Norte de Minas e Metropolitana de Belo Horizonte. Já nas próximas semanas as chuvas deverão continuar concentradas na região central do Brasil.
Com relação às temperaturas, nos próximos meses é esperado que na região Sudeste do Brasil ocorram dentro da média do verão.
Café
Com a proximidade do início do verão, devido ao calor, maiores ocorrências de chuvas, em forma de pancadas, nas principais regiões produtoras de café, vêm recuperando o vigor vegetativo dos cafezais.
Os produtores já iniciaram os tratos culturais para a recuperação do estado nutricional das plantas fazendo adubações e pulverizações para repor os nutrientes removidos pelo período anterior de seca severa. Apesar dos altos preços dos insumos agrícolas, tal fato não deve impedir que os produtores realizem os tratos culturais. Todavia, devem ter mais critérios e realizar os tratos partindo dos resultados de análises de solos, que devem ser realizadas após a colheita; e a análise das folhas, que deverá ser realizada no mês de dezembro, quando os frutos estiverem no estádio de chumbinho. Além dessas, devem também ser avaliadas as flutuações populacionais de pragas e doenças, além de um bom manejo das plantas espontâneas.
Associado ao bom volume de chuvas da próxima estação é recomendado que os produtores aproveitem este final de ano para recuperar o estado nutricional de suas lavouras, realizando pelo menos duas adubações e pulverizações neste período, além de outros tratos culturais.
Na eventualidade da realização de novos plantios, após 30 dias deve ser feita, com base no resultado da análise de solos, a primeira adubação de cobertura com nitrogênio e potássio, e que deve ser repetida de 45 em 45 dias até o final do período das águas. Nas lavouras adultas, a dose de adubo anual recomendada, com base nas análises, deve ser distribuída durante todo o período das águas; entretanto, o ideal é que dois terços dessa dose sejam aplicadas até o final de dezembro.
Com relação à nutrição foliar, quando a planta se encontra no estádio de chumbinho, em dezembro é o período ideal para realizar a amostragem de folhas para análise vegetal. A parte que servirá como amostra da planta deve ser colhida no terceiro e, ou, no quarto pares de folhas, a partir do ápice de ramos produtivos, na altura média da planta. Recomenda-se a coleta de quatro folhas por planta em ambos os lados da planta, totalizando 100 folhas para cada talhão. A partir da análise foliar, o produtor poderá realizar a nutrição de modo mais equilibrado e aumentar a resistência das plantas ao ataque de pragas e doenças e, consequentemente, aumentar também a produtividade.
Como em dezembro ocorre o início de crescimento da curva populacional da ferrugem, o produtor deve coletar amostras foliares para verificar o nível de dano da doença nas suas lavouras. Para a ocorrência da broca é também necessário fazer a coleta de amostra dos frutos para verificar o nível de dano da praga e, caso seja necessário, o controle deve ser feito aproximadamente 90 dias após a maior florada, que normalmente coincide com o mês de dezembro.
Ressalta-se que alguns cafeicultores já vêm adotando a chamada “agricultura regenerativa” que pode ser classificada como um conjunto de práticas de planejamento a longo prazo que propõe recuperar o ecossistema no qual se encontram as lavouras. Essas práticas têm sido adotadas para o controle de pragas com base na redução do uso de defensivos e preservação do meio ambiente.
O controle de plantas espontâneas neste período também é importante para reduzir a competição destas com as plantas de café. O método de controle que mais aumenta a matéria orgânica dos solos é a realização da roçada com roçadeiras manuais, cujo rendimento de trabalho é muito eficiente.
Nas lavouras que foram podadas o produtor deve ficar atento às desbrotas, e principalmente ao excesso de ramos ladrões na parte de baixo do ramo ortotrópico. Destaca-se que as lavouras que foram podadas normalmente apresentam deficiência generalizada de Zinco e Boro, e devem ser corrigidas por meio das pulverizações.
No período de chuvas mais fortes e concentradas, nas propriedades que possuem controle de erosão, deverá ser realizada a limpeza dos terraços e das caixas de contenção de águas. É importante ressaltar que é fundamental, para a conservação das estradas, a recuperação dos quebra-molas que direcionam as águas para dentro das caixas de contenção.
Prognóstico
As análises e prognósticos climáticos aqui apresentados foram elaborados com base nas estatísticas e nos históricos da ocorrência de fenômenos climáticos globais, principalmente daqueles atuantes na América do Sul. Considerou-se, também, as informações disponibilizadas livremente pelo NOAA; pelo Instituto Internacional de Pesquisas sobre Clima e Sociedade — IRI; pelo Met Office Hadley Centre; pelo Centro Europeu de Previsão de Tempo de Médio Prazo — ECMWF; pelo Boletim Climático da Amazônia elaborado pela Divisão de Meteorologia (Divmet) do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e com base nos dados climáticos disponibilizados pelo INMET. (5º Disme) / CPTEC-Inpe.
O prognóstico climático faz referência a fenômenos da natureza que apresentam características caóticas e são passíveis de mudanças drásticas. Desta forma, a EPAMIG e a Embrapa Café não se responsabilizam por qualquer dano ou prejuízo que o leitor possa sofrer, ou vir a causar a terceiros, pelo uso indevido das informações contidas no texto. Portanto, é de total responsabilidade do leitor o uso das informações aqui disponibilizadas.
*Williams Ferreira é pesquisador da Embrapa Café/EPAMIG Sudeste na área de Agrometeorologia e Climatologia, atua principalmente em pesquisas voltadas para o tema Mudanças Climáticas Globais e cafeicultura. – williams.ferreira@embrapa.br
Também continua chovendo no Centro-Oeste e Matopiba; Centro-Sul do Brasil continua com tempo muito seco
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho, de grande perigo, para chuvas válido nas próximas 24 horas em áreas de Minas Gerais, norte do Espírito Santo e sul da Bahia. Desde ontem chove de muito nessas áreas, atingindo parte da produção do conilon e bloqueando estradas.
“Chuva superior a 60 mm/h ou maior que 100 mm/dia, ventos superiores a 100 km/h. Grande risco de danos em edificações, corte de energia elétrica, de queda de árvores, descargas elétricas, alagamentos, enxurradas e grandes transtornos no transporte rodoviário”, afirma o comunicado do Inmet.
Segundo Naiane Araújo, meteorologista do Inmet, as chuvas continuam sendo influenciadas pela Zona de convergência do Atlântico Sul (ZCAS), em atuação na área desde o começo desta semana. “A situação é bem complicada e vai continuar ao longo do dia. O dia será de tempo fechado, com chuva a qualquer momento e podendo chegar em forma de pancada”, comenta a especialista.
Veja as áreas em estado de alerta vermelho:
Fonte: Inmet
Dados coletados nas estações meteorológicas do Inmet mostrava, por volta das 10h30 (horário de Brasília), acumulados de chuva chegando a 100mm, registrados entre a madrugada e primeiras horas da manhã desta quarta-feira (8), mas de acordo com produtores rurais os volumes registrados entre ontem e hoje já chegam a 300mm.
O modelo Cosmo do Inmet prevê que até o próximo sábado, dia 11, o cenário continuará sendo de bastante chuva nessas áreas. Durante os próximos três dias, a previsão de precipitação é de chuva entre 30mm e 40mm para cada dia no norte de Minas Gerais, Espírito Santo e sul da Bahia. Além dessas áreas, para as próximas 24 horas, o Inmet mantém a condição de chuva no centro-norte do Mato Grosso, norte de Goiás, Tocantins, Maranhão e Piauí. Todas essas áreas têm previsão de precipitação entre 20mm e 40mm no período.
No centro-sul do Brasil, o cenário continua sendo de tempo muito seco e temperaturas elevadas. Segundo Naiane, Mato Grosso do Sul e os estados da região Sul, além das temperaturas acima dos 30 graus, também ficam em estado de alerta para baixa umidade relativa do ar que pode atingir níveis críticos nas horas mais quentes do dia.
Veja a previsão de precipitação nas próximas 93 horas:
O agro brasileiro gerou em setembro deste ano uma receita de US$ 10,1 bilhões, alta de 21% em relação ao mesmo mês de 2020, segundo análise da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) com base nos dados do Ministério da Economia.
O superávit mensal (quando as exportações superam as importações) da balança comercial totalizou US$ 8,8 bilhões. No acumulado de janeiro a setembro de 2021, as vendas externas do setor já somam US$ 93,6 bilhões, crescimento de 20,6% freta a igual período do ano passado.
O principal produto da pauta exportadora do agronegócio brasileiro em setembro foi a soja em grãos, com participação de 24,3% no total dos embarques e valor de US$ 2,5 bilhões, aumento de 57,6% em relação ao mesmo período de 2020.
A carne bovina in natura vem em seguida, com receita de US$ 1,1 bilhão em setembro/2021, elevação de 85,7% frente a setembro de 2020. Açúcar de cana em bruto, carne de frango in natura e farelo de soja completam o ranking dos cinco produtos mais exportados em setembro.
O aumento mais significativo nas exportações em setembro deste ano na comparação com setembro de 2020 foi para o óleo de soja em bruto (+1.013,3%). Destaque também para a carne bovina in natura (+85,7%), soja em grãos (57,6%) e carne de frango in natura (54,1%).
Em relação aos mercados, 68,2% das exportações brasileiras do agronegócio foram destinadas a dez países em setembro. O principal destino foi a China, com participação de 32,4% do total dos embarques.
A União Europeia, segundo principal comprador, respondeu por 15%, seguida por Estados Unidos (7%). Completam a lista dos principais destinos: Japão (2,9%); Coreia do Sul (2,0%); Emirados Árabes Unidos (1,9%); Irã (1,9%); Vietnã (1,8%); Tailândia (1,7%) e Hong Kong (1,6%).
O Brasil finalizou a quarta semana de outubro importando um acumulado de 436.606,8 toneladas de milho não moído, exceto milho doce, de acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Isso significa que, nos quinze primeiros dias úteis do mês, o país já recebeu 128,8% a mais do que todo o registrado em outubro de 2020 (190.809,9 toneladas). Sendo assim, a média diária de importação ficou em 29.107,1 toneladas contra 9.540,5 do mesmo mês do ano passado, aumento de 205,09%.
O décimo mês de 2021 também representou elevações nos valores médios diários gastos que saíram de US$ 1.250,7 mil em 2020 para US$ 6.950,6 mil em 2021, aumento de 455,74% e nos preços dispensados por tonelada importada, que subiram 82,15% saindo de US$ 131,10 para US$ 238,80.
De acordo com os dados consolidados da Secex, de janeiro até setembro, o Brasil já importou 1.634.865 toneladas de milho, número 125,3% maior do que o mesmo período do ano anterior.
As lavouras respondem por 67,7% do VBP, e a pecuária por 32,3%. As maiores contribuições vieram de soja, milho, cana-de- açúcar, carne bovina e carne de frango
O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de 2021, estimado com base nas informações de setembro, atingiu R$ 1,103 trilhão. O número representa um crescimento de 10% em relação ao valor de 2020, que foi de R$ 1,0 trilhão.
O valor das lavouras cresceu 12%, e a pecuária, 6,1%. Decompondo-se o VBP, verifica-se que as lavouras respondem por 67,7%, e a pecuária por 32,3%. As maiores contribuições para obter esse resultado vieram de soja, milho, cana-de- açúcar, carne bovina e carne de frango. Juntos, sua contribuição foi de 72,4%.
Os recordes de valor, obtidos em uma série de 32 anos, foram observados em algodão (R$ 29,8 bilhões), milho (R$ 121,6 bilhões), soja (R$ 360,3 bilhões) e trigo (R$ 12,8 bilhões). Na pecuária, os recordes foram obtidos em carne bovina e carne de frango.
Contribuições negativas ao VBP foram observadas em amendoim, banana, batata inglesa, cacau, café, feijão, laranja, tomate, mandioca e uva. Esse comportamento teve impacto expressivo no resultado final do VBP.
Os resultados do VBP deste ano carregam os efeitos de impactos climáticos ocorridos em 2020 e 2021.Falta de chuvas, secas e geadas afetaram produtos relevantes como milho de segunda safra, café, feijão e outros. Entretanto, as boas condições do mercado internacional, e os preços internos favoráveis, têm sido os principais fatores de crescimento do agronegócio em 2021. Quanto aos preços, podem-se destacar fortes elevações neste ano em algodão em caroço (27,4%), café arábica (22,2 %), cana -de-açúcar (10,0 %), milho (27,1%), soja (16,4%) e trigo (5,0%).
Os resultados regionais mostram a liderança do Centro-Oeste no faturamento neste ano, R$ 362, 87 bilhões, Sul R$ 309,2 bilhões, Sudeste R$ 250,9 bilhões, Nordeste R$ 98,3 bilhões e Norte 70,0 bilhões.
O que é VBP
O VBP mostra a evolução do desempenho das lavouras e da pecuária ao longo do ano e corresponde ao faturamento bruto dentro do estabelecimento. Calculado com base na produção da safra agrícola e da pecuária e nos preços recebidos pelos produtores nas principais praças do país, dos 26 maiores produtos agropecuários do Brasil.
O valor real da produção, descontada a inflação, é obtido pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getúlio Vargas. A periodicidade é mensal com atualização e divulgação até o dia 15 de cada mês.
As exportações de fertilizantes da China podem ser interrompidas a pedido da comissão reguladora do país, ou NDRC (National Development and Reform Comission) na sigla em inglês, com o objetivo de proteger o mercado interno. O mercado especula tais medidas desde junho, as quais poderiam impactar durante o fornecimento de fosfatados e nitrogenados.
Todavia, as mudanças ainda não foram oficializadas pelo governo chinês ou aplicadas as condições que pudessem ser impostas pela NDRC. “As últimas notícias confirmaram que o departamento solicitou a algumas empresas da região de Yangtze e Hubei a suspensão das exportações até 30 de junho de 2022”, explica o analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, Jeferson Souza.
E embora ainda não tenha sido completamente oficializada, Souza alerta para os impactos que podem ser sentidos nos próximos dias. “As medidas podem impactar mais severamente nos preços no decorrer das semanas. Mas é importante reforçarmos que ainda não foram confirmadas pelo departamento. No entanto, já se pode ver mais pressão nos preços do fertilizante para o mundo inteiro.
Em sua conta no Twitter, o diretor de fertilizantes da INTL FCStone, Josh Linville, informou que “o governo chinês efetivamente baniu as exportações de fosfato até junho de 2022”. E explica que a nação asiática responde por cerca de 30% de todo o comércio mundial do produto. “Isso é ruim para os preços globais do fosafato e pior ainda para aqueles que dependem desse fornecedor. Temos que monitorar ações similares na ureia”.
Linville ainda afirma que os preços da ureia no Golfo Pérsico saltaram US$ 15,00 por tonelada na manhã desta terça-feira (28) em relação ao fechamento de ontem.
As mudanças que podem vir do gigante asiático somente se somam aos problemas e preocupações que se acumulam no mercado de fertilizantes e, inclusive, intensificam as preocupações dos produtores rurais no mundo total não só para novas altas nos custos de produção, como também para disrupções no abastecimento de uma série de produtos para a safra 2022/23.
“Hoje estou indo em todas as nossas propriedades para orientar que se use o mínimo possível de glifosato. Não temos perspectivas 2022, 2023 de como fica o mercado. Os grandes fornecedores estão com problemas, como a China. Com a gestão de diminuição de emissão de gases de efeito estufa, sustentabilidade, isso tem causado um enorme transtorno na gestão de produção”, explica Inácio Modesto Filho, diretor de produção do Grupo Bom Futuro.
Com isso, “temos que fazer o dever de casa, usar o mínimo possível, fazer uma gestão muito bem feita porque diversos produtos para a nova safra podem não estar nas nossas mão disponíveis”, complementa. “A gestão tem que prever um ano do qual não temos segurança”.
“Em 2021, o mercado de fertilizantes tem sido marcado por incerteza. As notícias novas vindas da China trazem riscos consideráveis para os produtores. Em Paranaguá, os preços da ureia têm se mantido estáveis perto de US$ 750/tonelada. No entanto, para a safrinha 2022, as relações de troca continuam subindo fortemente”, complementa Jeferson Souza.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou nesta sexta-feira (24), no Diário Oficial da União, a Portaria nº 298 que estabelece regras para operação de aeronaves remotamente pilotadas (ARP), mais conhecidas como drones, destinadas à aplicação de agrotóxicos e afins, adjuvantes, fertilizantes, inoculantes, corretivos e sementes.
Com drones ocupando cada vez mais espaço na agricultura e na pecuária, a regulamentação visa simplificar os procedimentos e adequar as exigências legais as especificidades desta tecnologia, já que, em diversos aspectos, se diferencia das aeronaves tripuladas.
Além do registro no Mapa, que será feito de forma automatizada via Sipeagro, os operadores necessitarão possuir profissional qualificado com curso específico, designado como aplicador aeroagrícola remoto, e, em determinados casos, necessitarão também de responsável técnico, engenheiro agrônomo ou engenheiro florestal, para coordenar as atividades. Já com relação as aeronaves, estas deverão estar devidamente regularizadas junto a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
“Esperamos que a normativa traga a segurança jurídica necessária para os operadores, ao mesmo tempo que garanta a harmonização e a segurança das operações e uso responsável da tecnologia. A norma também servirá como um ‘norte’ para a coordenação e a fiscalização das atividades, tanto por parte do Mapa, como por parte dos órgãos estaduais, responsáveis pela fiscalização do uso de agrotóxicos”, destaca a chefe da Divisão de Aviação Agrícola, Uéllen Lisoski.
A segurança operacional deve envolver todo o processo de aplicação, desde o preparo da calda, o monitoramento das condições ambientais durante a aplicação e o registro e arquivamento dos dados de cada operação, de forma que possam ser auditados, sempre que necessário.
As regras visam a segurança da equipe de trabalho e de terceiros, e englobam ainda distâncias mínimas de zonas sensíveis, a serem respeitadas durante as aplicações, de modo a se evitar problemas ambientais e visando a saúde da população.
O diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Lucchi, foi um dos palestrantes do painel “A evolução da agricultura sustentável no Brasil” realizado durante o 10º Fórum Lide de Agronegócios, ao lado do ex-ministro da Agricultura e indicado ao Prêmio Nobel da Paz 2021, Alysson Paolinelli, do embaixador da FAO para o Cooperativismo, Roberto Rodrigues, e do coordenador da Rede Paolinelli, Ivan Wedekin.
“O setor se estruturou por meio da ciência, do crédito rural e da assistência técnica, além do empreendedorismo do produtor rural que desenvolveu regiões e criou a base da competitividade do agro Brasileiro”, afirmou Lucchi.
Ele destacou que, graças à tecnologia, o setor desenvolveu sistemas produtivos sustentáveis, capazes de reduzir as emissões de gases do efeito estudo.
“Precisamos deixar claro o que queremos na COP, que é um mercado de carbono mais aberto e financiamento não só para comando e controle, mas para a ciência com foco na mitigação porque acreditamos que a ciência tem a resposta para isso”.
Bruno Lucchi disse ainda que o setor tem vários desafios para vencer no campo da sustentabilidade como consolidar o Código Florestal, combater o desmatamento ilegal, melhorar a imagem do setor, ter projetos de lei que modernizam a regularização fundiária, além de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e redução da insegurança jurídica.
Ele acrescentou ainda que o ‘pipeline de investimentos’ no setor é verde. “No crédito, cresce o financiamento via títulos verdes e no campo tecnológico, há ampliação do mercado de bioinsumos e ganhos de produtividade devido à conectividade e à irrigação”, disse. “Não escondemos nossos problemas, porém, acreditamos que mais que exaltá-los, precisamos ter ações concretas para saná-los.”
A demanda tanto do mercado interno como do externo é um importante fator a ser considerado para as análises de plantio de soja para a safra 2021/2022. Com a retomada da economia mundial, após a redução registrada durante o enfrentamento à pandemia do coronavírus, o consumo da oleaginosa tende a registrar novo crescimento. Além disso, produção de biodiesel e alimentação animal no país mantêm a demanda pelo grão aquecida. Estes e outros aspectos serão abordados no webinar Perspectivas para Agropecuária Safra 2021/22 – Edição Grãos, organizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O webinar será realizado no dia 26 de agosto, a partir das 9h. Durante o encontro, serão apresentadas as perspectivas de área, produção, produtividade, exportações, importações, consumo e preços da safra 2021/22 para as culturas do algodão, arroz, feijão, milho e soja, que correspondem a mais de 90% da produção brasileira de grãos estimada na safra 2020/21. As análises apresentadas pela Conab integram o estudo que será publicado no portal da Companhia.
Produtos – Para o milho, a expectativa da Companhia é de que haja uma recuperação na oferta do grão na próxima safra. “O desenvolvimento do cereal no período de 2020/21 teve a produtividade prejudicada, o que ocasionou uma redução de aproximadamente 10% na produção. Essa queda é influenciada pelas condições climáticas adversas registradas durante o cultivo, uma vez que o grão foi plantado fora da janela ideal na segunda safra, consequência do atraso no cultivo da soja”, lembra o gerente de produtos agrícolas da Conab, Fernando Motta.
Arroz e feijão apresentam panoramas distintos. Para o primeiro produto se espera um leve incremento na área plantada, impulsionado pelo patamar atual de preços. No entanto, a elevação nos custos de produção poderá impactar nesse movimento de recuperação. Já a leguminosa apresenta um cenário mais indefinido. Essa incerteza se deve ao fato de o feijão ser produzido no país em três períodos diferentes, o que faz com que a oferta do grão se ajuste dentro do ano safra.
No caso do algodão, os preços no mercado externo estão elevados, o que contribui para uma tendência de aumento do cultivo da fibra. “Porém, a boa rentabilidade do milho pode influenciar nessa escolha do produtor”, ressalta o gerente de Alimentos Básicos e Culturas Perenes da Companhia, Bruno Nogueira. Até julho deste ano, o Brasil registrou exportações de 1,18 milhão de toneladas da pluma, alta de 29,8% se comparado com o mesmo período de 2020.
Por recomendação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Conselho Monetário Nacional (CMN) reservou R$ 1.318.582.400,00 do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para medidas de apoio aos produtores que venham a ser indicadas após avaliação dos efeitos econômicos decorrentes das geadas que ocorreram em julho.
O valor corresponde a 20% do valor das linhas de Custeio, Comercialização, Capital de Giro e Financiamento para Aquisição de Café (FAC), e 100% do valor da linha de Recuperação de Cafezais Danificados.
Em abril de 2021, o CMN aprovou a distribuição de recursos, para o ano agrícola 2021/2022, para as linhas de financiamento do Funcafé. Durante o mês de julho de 2021, ocorreram geadas nas principais regiões produtoras de café de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, e levantamentos preliminares indicam que foram atingidos cerca de 200 mil hectares de cafezais.
A reserva já tinha sido aprovada pelo Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC) para atender os cafeicultores prejudicados pelas geadas nas últimas semanas. Os recursos fazem parte dos R$ 5,9 bilhões aprovados para aplicação nas linhas de financiamento do Funcafé na safra 2021/2022. Com a reserva, os agentes financeiros terão R$ 4,6 bilhões para as linhas de crédito de custeio, comercialização, capital de giro e aquisição de café. Os contratos estão no final de processamento.
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