
Depois da chuva, safra começa oficialmente com expectativa de produção recorde
As chuvas do fim de semana abriram oficialmente a safra de verão 2017/18. Depois um longo período de estiagem, que durou mais de 50 dias em algumas regiões, os produtores correram para campo para aproveitar a umidade.
Neste ano, segundo estimativas do Núcleo de Agronegócio da Gazeta do Povo, o Brasil deve ampliar a área dedicada à soja em pelo menos 3,5%, sobretudo onde se cultivou milho verão na temporada 2016/17. Com isso, a oleaginosa passa de 33,55 milhões de hectares para 34,72 milhões de hectares.
Se os rendimentos médios se repetirem, o país fechará a colheita com 114,03 milhões de toneladas. No entanto, o mais provável é que esse número seja ligeiramente menor por causa do clima, devendo ficar próximo a 113 milhões de toneladas. No ciclo 2016/17, a produção brasileira ficou em 110,2 milhões de toneladas, segundo estimativas da Expedição Safra.
Milho
Para o milho verão, a área deve voltar a ter retração, principalmente pelas condições de mercado, com preços abaixo do mínimo estabelecido pelo governo em algumas praças. O cereal tende a voltar aos patamares da safra 2015/16, quando o Brasil plantou 5,98 milhões de hectares no ciclo de verão. Tomando como base uma área de 6 milhões de hectares e um rendimento de 5,1 kg/ha (-3,56%), a colheita fecharia em 30,6 milhões de toneladas. Em 2016/17, o resultado foi de 32,79 milhões de toneladas.
Mercado
O Paraná deve repetir ou chegar perto da produção da temporada 2016/17, quanto colheu 19,88 milhões de toneladas de soja e 4,60 milhões de toneladas de milho primeira safra. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná, até a última quinta-feira (29), 2% da área dedicada à oleaginosa e 16% da área dedicada ao cereal já haviam sido semeados no estado.
O estado deve receber, em média, 130 mm de precipitações até 13 de outubro, sendo os maiores acumulados previstos para os dias 2 (24,2 mm) e 11 (32,6 mm), de acordo com o Agriculture Weather Dashboard.
Para o analista Aldo Lobo, da Granopar, é possível afirmar que safra finalmente começou no fim de semana. “Esse é o sentimento no campo. Os produtores estão plantando o mais rápido possível. Na semana passada, estavam todos semeando no pó”, afirma. O fato do plantio no ciclo atual estar atrasado em relação à 2016/17, na opinião de Lobo, não vai trazer prejuízos às produtividades médias. “A safrinha sempre foi uma cultura de risco. Ainda é cedo para falar qualquer coisa”, diz.
O analista de mercado e economista, Camilo Motter, da Granoeste, tem a mesma opinião. “A expectativa corre neste sentido. Aqui no Oeste do Paraná, tivemos uma variação de precipitações muito grande de região para região, mas notamos que ambiente está mudando no campo”. Para Motter, a safrinha está mais atrelada ao clima do que há outros fatores. “Área semeada e tecnologia nós temos. Só dependemos do tempo”.
Maior produtor do país, o Mato Grosso deve plantar 9,4 milhões de hectares na safra 2017/18, segundo estimativa do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O agrometeorologista Marco Antônio dos Santos informa que há previsão de chuvas generalizadas para Mato Grosso com volume suficiente para o plantio da soja. “Após o dia 3 de outubro, as precipitações regulares devem parar e, desta forma, chover esporadicamente em diversas regiões. O tempo chuvoso só regulariza a partir da segunda quinzena de outubro”, diz.
Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Endrigo Dalcin, os produtores rurais devem iniciar o plantio com cautela. “No ano passado, os agricultores foram cautelosos e tivemos uma das melhores safras em produtividade. Por isso, é preciso prudência, acompanhando a previsão do tempo para um resultado positivo”, afirma.

Maggi defende mais abertura do mercado brasileiro para impulsionar exportações
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, defendeu hoje (26), em São Paulo, a expansão das importações brasileiras no setor agrícola, mesmo em áreas exportadoras como meio de conquistar mais clientes no mercado globalizado. Essa estratégia é adotada pela China que, mesmo sendo o maior importador de alimentos do mundo, é o maior país agrícola, observou o ministro. Ele fez as declarações no fim da manhã, pouco antes de embarcar para o Peru onde vai discutir questões bilaterais.
Maggi citou a Polônia como exemplo de parcerias e disse que este país tem demonstrado interesse em vender carne suína para o Brasil. Se eles tiverem condições de atender as exigências, vamos liberar”, afirmou o ministro. A produção brasileira de suínos está em torno de 3,7 milhões de toneladas, mas, conforme o ministro, as exportações ainda enfrentam restrições fitossanitárias.
Segundo o ministro, as vendas externas de carne in natura poderão ter melhor desempenho a partir do próximo ano, pois está prevista para abril de 2018, a conquista da certificação livre de aftosa com vacinação para o produto.
As afirmações foram feitas em palestra a empresários e executivos da suinocultura, na 5ª Semana Nacional da Carne Suína, promovida pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), com o apoio do ministério e do Serviço Basileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae).
Economia deve crescer
Em sua fala, o ministro voltou a destacar a previsão de uma supersafra estimada em mais de 240 milhões de toneladas de grãos. Entre os benefícios da boa colheita, apontou o retorno aos investimentos dos criadores de suínos, lembrando que os preços de um dos principais itens de engorda destes animais, o milho, baixaram de preços em relação ao ano passado.
Na avaliação de Maggi, nada impedirá a economia brasileira de seguir adiante na retomada do crescimento, nem mesmo a nova denúncia contra o presidente Michel Temer encaminhada pela Procuradoria-Geral da República à Câmara dos Deputados por crime de obstrução à Justiça e organização criminosa. “Vamos decolar na economia brasileira”, disse o ministro, acreditando no descolamento das ações do mercado do andamento das questões políticas.
Os produtores de suínos estão em campanha para aumentar as vendas ao mercado interno e, para isso, iniciaram ações de esclarecimento aos consumidores quanto aos aspectos nutricionais, de qualidade e saudabilidade da carne suína como proteína, atingindo 589 pontos do comércio varejista 18 estados.
/Edição: Nádia Franco

Apesar da retração produtora, cotações da soja caem com força
Expectativas de oferta superior à demanda no final da temporada 2017/18 vêm pressionando os valores da soja. Produtores, no entanto, estão retraídos das vendas que envolvem grandes lotes, à espera de valorizações nos próximos meses. Segundo pesquisadores do Cepea, o recuo vendedor está atrelado às previsões de tempestades nos Estados Unidos, que podem interromper a colheita no centro-oeste daquele país e favorecer as vendas brasileiras (as atividades nos EUA têm previsão de início para os próximos 15 dias).
Além disso, com a possibilidade de atraso de semeio no Brasil, por causa das previsões de baixo nível pluviométrico no início de setembro em Cascavel (PR) e Sorriso (MT), produtores esperam melhores oportunidades de vendas. Entre julho e agosto, a média do Indicador da soja ESALQ/BM&FBovespa Paranaguá registrou forte queda de 3,3%, fechando a R$ 69,83/sc de 60 kg no mês passado. O Indicador CEPEA/ESALQ Paraná cedeu 3,6% na mesma comparação, com média de R$ 63,86/sc de 60 kg em agosto.
Fonte: Cepea/Esalq

Com início do plantio próximo no Brasil, produtor atento à chegada das chuvas
Há poucos dias do fim do vazio sanitário no Brasil, os produtores de soja já estão com todos os seus preparativos concluídos para o início do plantio da safra 2017/18. No entanto, a atenção ao cenário climático foi redobrada nas últimas semanas com previsões mostrando a possibilidade maior de um La Niña nos próximos meses.
Confirmado, o fenômeno poderia reduzir as chuvas nos meses em que é feita a semeadura no país, principalmente na região Sul, podendo prejudicar o início dos trabalhos de campo. Já nas regiões Norte e Nordeste, os volumes podem aumentar, segundo explicam meteorologistas da Climatempo.
“Apesar de estar previsto o atraso do período chuvoso para a região Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, a tendência é de estabilização do período chuvoso a partir do final de outubro, influenciando de forma positiva no processo de plantio”, orienta a Climatempo.
Em sua última entrevista ao Notícias Agrícolas, o meteorologista do Inmet, Expedito Rebello, traz previsões mostrando que para o Sul, as chuvas podem ser melhores somente no fim de outubro, com a possibilidade de serem ainda mais expressivas em novembro. “Isso gera um dilema para aqueles produtores que desejam plantar mais cedo, como no estado do Paraná, cujo plantio estará liberado a partir de 10 de setembro, ou para aqueles que desejam fugir da ferrugem asiática”.
Anomalia de chuvas prevista para setembro a outubro – Fonte: Inmet
Alguns modelos climáticos de mais longo prazo, segundo explicam especialistas do canal norte-americano The Weather Channel, mostram que as condições já começam a mudar a indicar a possibildade de um La Niña após setembro.
As previsões para outubro já indicam um padrão misto de condições, típico de um período de transição. As últimas informações do Instituto Australiano de Meteorologia, do último dia 29 de agosto, mostram que as condições de neutralidade permanecem, porém, chamam a atenção para um resfriamento das águas da superfície do Pacífico em uma área extensa, movimento característico do La Niña.
“No entanto, as temperaturas ainda se mantêm na faixa da neutralidade. Além disso, outros indicadores como os índices de oscilação, a nebulosidade e o movimento dos ventos também permaneceram neutros”, diz a agência da Austrália. A próxima atualização das informações do instituto chegam no dia 12 de setembro.
Os últimos dados apurados pelo NOAA – o departamento oficial de clima do governo norte-americano – também mostraram condições ainda de neutralidade, porém, uma chance maior de ocorrência do La Niña, agora entre 25% e 30%. As chances de neutralidade, entre dezembro e fevereiro já se mostram em 55%, contra os 85% que deve se estender ainda por este mês de setembro. No caso do NOAA, as atualizações chegam no dia 14 de setembro.
O período, portanto, é de transição climática e este é o momento mais crítico não só para o produtor rural, mas para a meteorologia em si também, segundo a chefe do Centro de Análise e Previsão do Tempo do Inmet, Morgana Almeida. “A palavra de ordem é cautela”, diz em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta segunda-feira (4).
Ainda de acordo com a especialista, neste primeiro momento o La Niña não deve ter grande impacto sobre o início da nova safra brasileira, uma vez que ainda não foi completamente configurado. Caso esses impactos venham efetivamente, deverão ser notados somente no início de 2018, previsão que converge com a dos institutos americano e australiano.
“Um fator positivo para essa safra é a não presença do El Niño. Ainda estamos em uma condição de neutralidade”, diz Morgana.
“O padrão climático ideal verificado na safra anterior não deve se repetir. Em anos de neutralidade, há uma grande variabilidade no regime de chuvas, sendo que em determinados momentos as frentes frias poderão ficar mais posicionadas numa determinada região do país e, com isso, abrir margens para quebras pontuais de produtividade”, acreditam os especialistas da INTL FCStone.
Dessa forma, a consultoria acredita que, apesar da velocidade esperada para o plantio não seja também a mesma observada na temporada anterior, a média deste ano poderá ficar bem próxima da registrada no ano safra 2016/17.

A saída para o Brasil está no porto
Em 2017, a balança comercial teve o melhor 1º semestre em 29 anos com superávit de US$ 36 bilhões. Deste volume, o agronegócio respondeu por 46%. No entanto, mesmo com esse resultado surpreende, é preciso exportar mais. Atualmente, o país é responsável por apenas 1% das relações comerciais, mesmo ocupando a sétima colocação entre as maiores economias do mundo.
Segundo a consultora em Negócios Internacionais, Tatiana Palermo, o campo é um dos setores mais competitivos da economia brasileira. “O Brasil atravessa uma séria recessão econômica. Atualmente, há em andamento uma ambiciosa agenda de recuperação, com foco no equilíbrio fiscal e na ampliação da participação da iniciativa privada. No entanto, é preciso investir em uma política de comércio exterior séria para um crescimento sólido”, afirma. Palermo participou do painel “Mercado Internacional: Desafios e Oportunidades à Exportação”, no 5º Foro de Agricultura da America del Sur.
Segundo Tatiana, o protecionismo cresce no mundo e as tarifas praticadas pelo Brasil não são nada competitivas. Para pior a situação, o país ainda enfrenta sérias restrições por causa de barreiras sanitárias e fitossanitárias. “O Brasil apostou todas suas fichas na OMC. O País não tem nenhum acordo bilateral com um mercado relevante”, diz.
A especialista ressaltou a importância do país se abrir. “É muito comum ouvir exportador afirmando que o consumo interno dá conta se os mercados se fecharem. Isso não é verdade. Atualmente, 95% do suco de laranja são exportados, 80% da soja, 71% do café. O Brasil depende do mercado exterior. Por isso é importante baixar as tarifas, investir em novos acordos. E, principalmente, não esquecer que o comércio internacional é uma via de mão dupla. Temos que exportar e importar. É assim que se faz comércio”, defende.
Professor de Relações Internacionais da Universidade Positivo, Gustavo Iamin, que também participou do painel, concorda com Tatiana Palermo. “O protecionismo não é novidade. Já tivemos em séculos passados em diferentes momentos. O comércio exterior evoluiu a partir da Segunda Guerra Mundial, com surgimento da ONU, FMI e OMC. E os países da Europa e do Sudeste asiático foram os que mais apostaram nisso e se recuperaram com força, mostrando que o modelo econômico é bem sucedido”.
Iamin diz que o discurso protecionista está em alta, mas na prática, grandes mercados ainda não se fecharam. “Apesar do Trump e, mais recentemente o Partido Democrata adotarem o mesmo discurso, França, Reino Unidos, Alemanha, continuam abertos. É preciso continuar neste caminho, ficarmos atentos e cobrar das áreas e ministérios responsáveis”.

Receita bruta da cafeicultura de R$ 21,6 bilhões corresponde a 6% das lavouras em 2017
Faturamento dos cinco maiores estados produtores de café – MG, ES, SP, BA e RO – corresponde a 95% da receita
O faturamento da cafeicultura brasileira em 2017, expresso no Valor Bruto da Produção, foi estimado em R$ 21,632 bilhões, que correspondem a aproximadamente 6% do montante total de R$ 367,978 bilhões, o qual foi calculado com base no faturamento das 21 principais lavouras cultivadas no País. O valor da receita bruta do café de 2017 representa queda de 11,4% em relação ao faturamento de 2016, que foi de R$ 24,404 bilhões.
A Secretaria de Política Agrícola – SPA, do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – Mapa, calcula mensalmente o Valor Bruto da Produção – VBP com base no faturamento de 21 produtos agrícolas e cinco produtos da pecuária. O VBP de julho de 2017, no contexto global da produção agropecuária, incluindo os dois setores, foi de R$ 535,435 bilhões, sendo os mencionados R$ 367,978 bilhões da lavoura e R$ 167.456 bilhões da pecuária. Essas análises e dados do VBP estão disponíveis no Observatório do Café do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café.
O ranking dos cinco estados brasileiros que mais se destacaram em relação ao faturamento bruto do café, em nível nacional, é o seguinte: Minas Gerais, com R$ 12,141 bilhões, corresponde a 56,12%; Espírito Santo, com R$ 3,959 bilhões (18,3%); São Paulo, com R$ 2,068 bilhões (9,6%); Bahia, com R$ 1,509 bilhões (7%); e Rondônia, com R$ 984 milhões (4,5%). Com base nesses dados, verifica-se que os cinco maiores estados produtores de café são responsáveis por 95,5%, que representam R$ 20,661 bilhões do faturamento. Demais estados produtores de café correspondem a R$ 969 milhões da receita bruta, ou seja, 4,5% do VBP café.
No contexto global do VBP, incluindo todos os produtos da lavoura e da pecuária, contata-se que os valores da produção regional estimados pela SPA/Mapa mostram hegemonia da Região Sul do País, cujo VBP é de R$ 141,3 bilhões, seguida pelo Centro-Oeste (R$ 138,6 bilhões), Sudeste (R$ 137,5 bilhões), Nordeste (R$ 50,1 bilhões) e Norte (R$ 32,5 bilhões). Os estados de São Paulo, Mato Grosso, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Bahia, representam conjuntamente 70,5% do VBP neste ano.

Fungicida para ferrugem asiática é lançado no Top Ciência
A BASF lança oficiamente o fungicida Versatilis® na 11° edição do Top Ciência. O lançamento contribui para o manejo de resistência. Presente há 14 anos no Brasil, a ferrugem-asiática é uma das doenças mais severas da cultura da soja e pode gerar perdas de até 80% nas lavouras se não for corretamente controlada.
O registro do produto foi obtido neste ano e já está disponível para a próxima safra de soja. O fungicida Versatilis® possui ação curativa na fase de germinação e desenvolvimento do fungo echega ao mercado para ser utilizado associado aos fungicidas existentes, potencializando a performance desses produtos no controle da ferrugem-asiática e, consequentemente, auxiliando no manejo de resistência”, afirma Elias Guidini, gerente de Marketing da BASF para a cultura da soja no Brasil.
O Versatilis® oferece flexibilidade de aplicação nas diferentes fases da cultura da soja, além de proporcionar incremento de produtividade para as lavouras. Em mais de 25 mil hectares de áreas de confirmação de pesquisa, a utilização do Versatilis® em associação a outros produtos do portfolio BASF, gerou um incremento de produtividade de 2 sacas na safra 2016/2017, em relação às áreas padrão das fazendas onde foram realizados os testes.

HF BRASIL/CEPEA: Por que os preços no varejo são bem maiores que ao produtor?
A diferença expressiva entre o preço que o horticultor vende seus produtos e o que está exposto na gôndola do supermercado é algo que incomoda o produtor brasileiro de frutas e hortaliças. Assim, é quase uma convenção que os HFs são caros ao consumidor e a remuneração ao produtor é baixa. Mas isso é mito ou verdade? Esse e outros quatro fatos a respeito da comercialização de hortifrútis são “desvendados” na matéria de capa desta edição da Hortifruti Brasil, do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.
Um deles é a interpretação de que altas margens de comercialização representam bons lucros ao varejo. O estudo ressalta que é importante não confundir margem com lucro. As margens de comercialização incluem, além do lucro/prejuízo, os custos de comercialização envolvidos na cadeia de frutas e hortaliças frescas. Assim, grandes margens de comercialização podem não ser um indicativo de bons lucros. Elas podem representar uma série de custos e de ineficiência que fazem o produtor receber menos do que o custo do produto, e o consumidor acaba pagando mais do que ele vale, de fato.
A margem de comercialização corretamente calculada é a diferença entre o preço de um quilo do produto no supermercado e o valor da quantidade correspondente comprada do produtor, já descontadas as perdas no processo de comercialização. Em se tratando delas, um ponto destacado pelo professor Geraldo Sant’Ana de Camargo Barros, entrevistado do Fórum desta edição, é o mito que as perdas no segmento de frutas e hortaliças tornam as margens de comercialização mais elevadas. No entanto, nem sempre o combate às perdas pode resultar em margem menor. Ao contrário, dependendo dos custos envolvidos nesse processo, a margem pode se ampliar ao invés de diminuir. Assim, o professor considera que o combate às perdas é uma decisão técnico-econômica.

Produção mineira de grãos ultrapassa 14 milhões de toneladas
A produção mineira de grãos alcançou volume recorde de 14,1 milhões de toneladas na safra 2016/2017. Com o período de colheita encerrado no mês de junho, o volume confirmado é 19,8% superior à safra passada. A área plantada também registrou crescimento de 2,4%, alcançando 3,4 milhões de hectares. Os números fazem parte do 11º levantamento de safra da Conab e foram analisados pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).
Segundo o Superintendente de Abastecimento e Economia Agrícola João Ricardo Albanez, esse ganho na produção é resultado do aumento da produtividade das lavouras. “A utilização de tecnologia está presente não só em máquinas e implementos, mas também em sementes, nos sistemas de cultivo, além do uso da irrigação. As condições climáticas favoráveis nesta safra somadas à adoção de tecnologias também foram fundamentais para este resultado”, analisa.
A produção total de milho, no estado, foi de 7,6 milhões de toneladas, com crescimento de 28,1% em relação à safra anterior. A área plantada com o grão alcançou 1,3 milhão de hectares (+5,7%) e a produtividade deve ser de 6 mil quilos por hectare (+21,2%). A produção de soja alcançou 5 milhões de toneladas (+6,7%), numa área plantada de 1,5milhão de hectares e produtividade de 3,4 mil quilos por hectare (+7,6%).
“O milho contribui com 54% da safra de grãos no estado e a participação da soja é de 35,5%. Os dois produtos, somados, representam quase 90% da produção mineira de grãos. “Soja e milho têm uma importância estratégica para a pecuária mineira, com participação expressiva na formulação das rações. Resultados positivos na produção destes dois cereais asseguram fontes de proteínas (carnes, ovos, leite), além de serem matérias-primas para a produção de óleos vegetais”, explica o Superintendente.
Em relação à exportação dos grãos, soja e milho têm destinos diferentes. Enquanto mais de 95% do milho cultivado no estado são destinados ao consumo interno, cerca de 40% da soja são exportados. No período de janeiro a julho deste ano, os principais países importadores da soja mineira foram a China (72,5%), Tailândia (6,5%) e Holanda (4,3%).
Outros produtos, apesar de menor representatividade, contribuíram para a produção recorde de grãos, como o sorgo que registrou crescimento expressivo (+91,2%). De acordo com o Superintendente João Albanez, esse índice foi estimulado pelo crescimento do plantio do grão na segunda safra, que é realizada nos meses de fevereiro a março. “Como existe a possibilidade de veranicos neste período, as regiões do Triângulo Mineiro, Noroeste e Alto Paranaíba estão investindo no sorgo como alternativa ao milho por ser mais resistente à falta de chuva característica do período”, explica. Além da soja, milho e sorgo, vários outros itens que compõem a safra de grãos no estado também registraram crescimento.
Safra Grãos MG 2016/2017
Milho – 7,6 milhões de toneladas (+28,1%)
Soja – 5 milhões de toneladas (+6,7%)
Sorgo – 666 mil toneladas (+91,2%)
Feijão – 544 mil toneladas (+4,7%)
Trigo – 230 mil toneladas (+5,2%)
Girassol – 13 mil toneladas (+94%)
Amendoim – 9,4 mil toneladas (+23,7%)
Arroz – 15 mil toneladas (Mesma produção da safra anterior)
Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais

Café tem pior infestação de broca dos últimos anos
A cultura cafeeira enfrenta em 2017 o pior nível de infestação por broca-do-café registrada nos últimos anos. De acordo com Júlio Souza, entomologista da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), a praga já atinge áreas responsáveis por 50% da safra, e os danos podem chegar a 30% dos grãos de café verde.
“Já estamos buscando reverter essa situação por meio de pesquisa”, adiantou o Souza ao Portal da SNA (Sociedade Nacional de Agricultura). Ele conta que não é comum haver infestações na região sul de Minas, onde está localizada a maior concentração da produção cafeeira: a última incidência da praga havia sido registrada há sete anos.
Na visão do diretor executivo da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), Nathan Herszkowicz, o problema está ligado à proibição do uso do inseticida endosulfan no ano de 2013. “Após essa proibição, as lavouras foram muito afetadas por essa praga, principalmente na região do Cerrado e Sul de Minas Gerais, maior produtor de café do Brasil, com cerca de 50% do parque cafeeiro e do volume total da produção nacional do grão”, alerta.
“Como a broca diminui o valor de venda dos grãos, se nossa produção ficar conhecida como vítima de uma infestação dessa praga, vamos ter problemas sérios de vendas, até para a exportação, diminuindo o valor do café brasileiro e reduzindo a oferta de grãos de melhor qualidade que o mercado mundial precisa e paga”, ressalta.
A Abic recomenda que as indústrias só aceitem lotes de café com, no máximo, 5% de broca: “Hoje, o mercado traz lotes com níveis de broca muito superiores a isso, mas o uso de café nessas condições submete a indústria a ficar irregular em relação a norma RDC14 da Anvisa”.
Confira no Sistema AgrolinkFito mais informações sobre o problema e os controles químicos registrados para o combate da praga.