
Oferta de milho pode ser ainda menor nos EUA promovendo mais uma rodada de alta para o cereal em Chicago. Soja também pode subir
Para Jack Scoville milho deve buscar os US$4,75 /bushel (julho) e soja segue movimento com potencial de chegar aos US$ 9,00/bushel (julho) no curto prazo
Jack Scoville – Analista da Price Futures Group

Nesta terça-feira (11), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou um novo relatório para a soja e para o milho dos norte-americanos. Para a soja, os números se mantiveram semelhantes ao relatório anterior. Agora, para o milho, houve uma redução na projeção de produção, o que deve colaborar para a alta dos preços.
Jack Scoville, analista da Price Futures Group, avalia que, no mês de junho, é impossível que os produtores de milho plantem o que estava previsto inicialmente. São 6,4 milhões de hectares sem plantio, com 2,8 a 3 milhões de hectares podendo ficar sem o cereal.
Este fator deve refletir nos números finais de produção. A perda pode chegar até a 40 milhões de toneladas do que era previsto anteriormente para este cereal.
A situação, assim, pode se refletir na soja, puxando os preços ou fazendo com que alguns produtores migrem do milho para a oleaginosa. Contudo, a produção estimada para esta se manteve em 112 milhões de toneladas.

Na Gazeta do Povo: É possível o Brasil exportar ainda mais soja, milho e carne em 2018?
Em 2017, o Brasil quebrou os recordes de exportações de soja e milho, com 68,15 milhões de toneladas e 29,2 milhões de toneladas embarcados ao exterior, respectivamente. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (2) pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).
No caso da soja, as vendas externas superaram com folga o melhor resultado que havia sido obtido até então: 54,3 milhões de toneladas em 2015; para o milho, embora com uma margem mais apertada, o número de 2017 também ficou acima do desempenho de 2015: 28,9 milhões de toneladas.
Diante de um quadro tão expressivo, é possível avançar ainda mais neste ano? Sim, mas depende. “O que precisamos para exportar mais é uma produção maior”, afirma o analista da Granoeste, Camilo Motter.
O ritmo inédito dos embarques se explica pela supersafra de grãos, que foi impulsionada pelo clima e é estimada pela Expedição Safra do Agronegócio Gazeta do Povo em 110,2 milhões de toneladas de soja e 93,69 milhões de toneladas de milho, aumentos, respectivamente, de 12,5% e 24,7% na comparação com os ciclos anteriores. Havia grão de sobra e demanda suficiente, deixando os preços internacionais em patamares vantajosos.
Leia a notícia na íntegra no site da Gazeta do Povo.

Preços do milho mais firmes no segundo semestre
O preço do milho ficou firme no mercado interno em função da exportação e das chuvas em meados de agosto, que atrapalharam a colheita da segunda safra em algumas regiões. A exportação foi de 3,30 milhões de toneladas em agosto, até a terceira semana, o equivalente a 235,86 mil toneladas por dia (MDIC). A média diária foi de 235,86 mil toneladas, 113,2% maior que a média embarcada por dia em julho. Na comparação com agosto de 2016, o volume exportado diariamente aumentou 111,5%.
Segundo levantamento da Scot Consultoria, na região de Campinas-SP, a saca de 60 quilos fechou agosto cotada em R$26,50, para a entrega imediata, sem o frete. Em relação à média de julho a cotação subiu 2,0%. Entretanto, esse preço é 41,9% menor na comparação com igual período de 2016. A expectativa é de cotação firme neste semestre e começo de 2018, em função da exportação, que deverá continuar aquecida nos próximos meses. De qualquer maneira, as cotações deverão ficar abaixo do patamar verificado no mesmo período do ano passado.

Exportações de milho cresceram 113,2% em agosto, frente a julho deste ano
Em agosto, até a terceira semana, o Brasil exportou 3,30 milhões de toneladas de milho, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.
A média diária foi de 235,86 mil toneladas, 113,2% a mais que a média embarcada por dia em julho deste ano. Na comparação com agosto de 2016, o volume exportado diariamente aumentou 111,5%.
Se este ritmo continuar, a estimativa é de que as exportações brasileiras superem as 5,40 milhões de toneladas no acumulado de agosto. Para uma comparação, em agosto do ano passado foram embarcadas 2,56 milhões de toneladas do cereal.
A boa disponibilidade de milho e as quedas de preços no mercado interno, que aumentaram a competitividade do milho brasileiro no mercado internacional, são os principais fatores de alta das exportações desde julho.
Em agosto, o preço médio do milho exportado pelo Brasil foi de US$155,55 por tonelada, frente ao patamar acima de US$175,00 por tonelada no começo deste ano.

Boas expectativas marcam o início da safra de grãos
A expectativa de uma boa safra de grãos está gerando reflexos positivos em setores da economia que dependem da agricultura. Influenciada por condições climáticas mais favoráveis para o desenvolvimento das lavouras neste ano, a previsão para a safra 2016/2017 é de mais de 210 milhões de toneladas de grãos produzidas, segundo os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Essas expectativas positivas acendem o sinal verde para outros setores da economia que dependem diretamente da produção agropecuária. No caso das máquinas agrícolas por exemplo, segundo os dados da Associação dos Fabricantes (Anfavea), outubro já registrou um crescimento de 35% em relação a setembro deste ano, dados estes que compravam um retorno no otimismo dos empresários e produtores do setor rural.
Atual quarto maior estado produtor de grãos, Goiás segue na mesma expectativa nacional, com previsão de safra recorde neste ano. Segundo os dados da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), a produção goiana de grãos deve atingir nesta safra os 21,2 milhões de toneladas, com grande destaque para as culturas da soja e do milho, que juntas representam cerca de 93% do total produzido.
Esses produtos abastecem a vasta cadeia agroindustrial do estado, sendo insumos básicos na produção de carnes e lácteos e também para a indústria alimentícia. No caso da soja, mesmo sendo exportada apenas cerca de 35% da nossa produção total, a oleaginosa é o principal produto da balança comercial do estado, sendo responsável por cerca de 25% do total exportado em 2015.
A principal região produtora de grãos no estado é o Sudoeste Goiano, porém a produção goiana já se encontra bastante dispersa, com crescimento significativo nos últimos anos nas novas fronteiras agrícolas goianas, o Vale do Araguaia e o Extremo Norte do estado. Entre os municípios, Rio Verde, Jataí e Cristalina são os maiores produtores estaduais.
A safra gera boas expectativas também aos produtores rurais, que ano após ano vêm enfrentando problemas de perdas em função do clima. “Nas últimas três safras tivemos problemas relacionados com a falta de chuvas, seja na safra de soja no verão, ou no milho na safrinha. Uma safra cheia nesses dois períodos é mais do que bem-vinda e pode amenizar a situação financeira complicada que muitos produtores se encontram atualmente”, afirma o assessor técnico da Faeg, Cristiano Palavro. Porém o consultor alerta que a safra ainda esta começando, e as previsões podem se alterar durante o ciclo produtivo.
As condições da safra também trazem reflexos aos consumidores finais, pois os níveis de oferta destes produtos impactam diretamente nos preços. É o que assessor técnico da Faeg, Pedro Arantes. “Os efeitos nos preços sofrem interferência de outras variáveis, porém a oferta desses produtos é a principal delas. No caso de produtos básicos, que vão direto para a mesa das famílias, como o arroz e o feijão, por exemplo, esse efeito é direto. Já para as cadeias da soja e do milho, os efeitos mais significativos podem ser observados nos preços das carnes, suína e de frango, principalmente, nos derivados de leite”, ressalta ele.

Brasileiros apostam no milho; área de soja deve crescer menos
O apetite insaciável do Brasil pelo cultivo de soja dá indícios de arrefecimento, resultado da conversão de algumas áreas para o milho na próxima safra de verão 2016/2017. Previsões de consultorias especializadas apontam crescimento para as duas principais culturas brasileiras, mas a expansão da oleaginosa será modesta, enquanto o milho deve aumentar significativamente.
A AGR Brasil, uma consultoria baseada em Chicago (EUA), prevê um crescimento da superfície de soja na casa dos 2%, o que seria o menor número em 10 anos, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Já para o milho, a área brasileira cresceria em mais de um milhão de hectares na safra de verão.
A grande questão é: por que isso aconteceria em um momento em que se prevê uma baixa dos preços de milho? A ideia de que uma boa safra pode ser repetida é sempre a questão chave para as decisões dos produtores brasileiros, e a temporada 2015/2016 trouxe excelentes resultados para a cultura do milho, com forte demanda interna e externa, apesar das previsões negativas para preços futuros.
“A previsão da AGR é equilibrada. Pode-de dizer que na cabeça dos produtores está sempre a safra anterior. Haverá uma expansão da soja e o milho ainda é atraente”, opinou o analista Frederico Schmidt, da Priore Investimentos, em reportagem doPortal Agriculture.com. Para ele, é improvável que o milho substitua muitas áreas de soja. No entanto, se o preço permanecer atrativo até o fim da colheita de verão, pode também haver um forte safra de inverno no Centro-Oeste, em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins.
Uma estimativa da consultoria de Curitiba AgRural diz que a superfície de soja cresceria apenas 1%. Enquanto isso, o milho tomaria conta de áreas antes ocupadas por pastagem, feijão e, muito limitadamente, de soja nos três estados do sul: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Uma visão semelhante tem a AGR Brasil, que prevê que o milho se expandiria muito no Paraná e no Rio Grande do Sul, onde o grão pode ser plantado apenas no verão e há uma grande predominância da soja.
O RS é o terceiro maior produtor de soja do Brasil, mas não tem sido autossuficiente na produção do milho, que possui grande demanda da suinocultura e avicultura. Para a próxima safra, muitos produtores já admitem mudar de ideia e migrar para o milho, apesar das dificuldades climáticas.
Há indícios de que essa temporada seria muito arriscada em função da previsão de ocorrência do fenômeno La Niña. “Há muitos riscos relacionados ao La Niña. Há uma tendência de chuvas abaixo da média histórica e a produtividade de ser reduzida”, afirma o diretor técnico da Emater/RS Lino Moura.

Milho: Mercado mantém tom positivo em Chicago e mar/17 retoma os US$ 4,00 por bushel
Publicado em 26/04/2016 13:33
Durante o pregão desta terça-feira (26), as cotações do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) dão continuidade ao movimento positivo. Com isso, perto das 13h08 (horário de Brasília), as principais posições do cereal exibiam valorizações entre 3,25 e 4,75 pontos. O vencimento maio/16 era cotado a US$ 3,80 por bushel, enquanto o dezembro/16 era negociado a US$ 3,92 por bushel.
Conforme dados das agências internacionais, os fundos ainda atuam fortemente no mercado em meio às especulações climáticas na América do Sul. Nos últimos 20 dias, o vencimento maio/16 subiu de US$ 3,54 por bushel para US$ 3,77, uma valorização de 6,35%. Já o setembro/16 passou de US$ 3,6175 para US$ 3,8225, registrando um incremento de 5,67%.
No caso do Brasil, depois das preocupações com o clima seco, as chuvas devem retornar às principais regiões produtoras ao longo dessa semana. Segundo o agrometeorologista da Somar Meteorologia, Marco Antônio dos Santos, a frente fria está sobre os estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, onde já provoca chuvas nesta terça-feira.
“E a previsão é que ela – frente fria – continue avançando aos demais Estados das regiões Sudeste e Centro-oeste, onde são esperadas chuvas entre hoje e quinta-feira. Os volumes não serão altos, mais suficientes para permitir uma mudança no padrão atmosférico e consequentemente uma melhora ao desenvolvimento das lavouras”, informou o agrometeorologista.
Na região de Toledo (PR), importante produtora de milho, somente nesta segunda-feira (25) choveu mais de 55 mm e as precipitações continuam nesta terça-feira. “As chuvas de agora irão ajudar na recuperação das lavouras mais atrasadas, que estavam precisando de umidade e água. Claro que temos algumas plantações que não irão recuperar, apenas ganharão um pouco mais de peso nos grãos. Em algumas localidades, as perdas podem superar os 15%. Contudo, a média do município ainda deverá ser boa”, afirma Nelson Paludo, presidente do sindicato rural e vice-presidente da Aprosoja PR.
Por outro lado, o clima nos Estados Unidos também continua no foco dos investidores. Previsões recentes indicam chuvas no Meio-Oeste norte-americano, que podem atrasar o plantio e reduzir o tempo hábil para o plantio, segundo informações de agências internacionais. Porém, ainda ontem, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou que até o último domingo (24) cerca de 30% da área já havia sido cultivada com o grão.
O número ficou acima das projeções do mercado, de 25%. Na semana passada, o índice era de 13% e a média dos últimos anos é de 16%. O órgão ainda divulgou que em torno de 5% das lavouras já emergiram, contra 2% registrado no ano passado.
BM&F Bovespa
Enquanto isso, na BM&F Bovespa, as cotações do milho operam em campo misto nesta terça-feira. Por volta das 13h06 (horário de Brasília), os primeiros vencimentos exibiam perdas entre 0,35% e 0,72%. Já as posições mais longas registravam valorizaçõs entre 0,23% e 0,38%. O vencimento maio/16 era cotado a R$ 48,42 a saca e o setembro/16 era negociado a R$ 40,10 a saca.
Além do dólar, os investidores também acompanham o desenrolar do clima no Brasil. E, principalmente, com o retorno das chuvas qual será o potencial de recuperação nas plantações do cereal. A moeda norte-americana era cotada a R$ 3,5301 na venda, com queda de 0,52%, perto das 13h30 (horário de Brasília). Segundo o site G1, o Banco Central ainda não anunciou intervenções no mercado de câmbio. Os participantes do mercado também observam o cenário político e econômico no país.